O QUE É O AZULEJO?

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Resumo

Entre normas e “artisticidade”, passando por dimensões, métricas, suporte de mensagens, experiências estéticas, durabilidade, alterações, entre muitos outros aspectos, a conversa sobre o que é o azulejo prolongou-se por cerca de duas horas, muito participadas!

Adivinhando a dificuldade de resumir todos os interessantíssimos aspectos do debate, desta vez estivemos em directo e os vídeos da sessão continuam disponíveis no evento da nossa página do facebook.

Respondendo ao desafio final de João Manuel Mimoso, e a partir das múltiplas ideias em discussão, arriscamos a deixar aqui expressa uma definição possível, que é necessariamente ampla e inclusiva: azulejo é um material cerâmico que, independentemente da forma e do relevo, reveste e articula-se com a arquitectura. É, pois, um revestimento cerâmico num sentido abrangente e considerado num contexto histórico português de tradição de aplicação arquitectónica.

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WHAT IS A TILE?


Session overview

Between guidelines and “artisticity”, through dimensions, metrics, messaging support, aesthetic experiences, durability, alterations, among many other things, the conversation about what is a tile lasted for about two hours, and was very participated!

Guessing the difficulty of summarizing all the interesting aspects of the debate, this time we were live and the videos of the session are still available in the event of our facebook page.

Responding to the final challenge of João Manuel Mimoso, and based on the multiple ideas under discussion, we risk leaving here a possible definition that is necessarily broad and inclusive: azulejo (tile) is a ceramic material that, regardless of the shape and of the relief, it covers and articulates with architecture. It is, therefore, a ceramic covering in a comprehensive sense and considered in a Portuguese historical context of tradition of architectural application.

O QUE É O AZULEJO? | WHAT IS A TILE?

 

 

 

 

 

 

 
Luís Pedro Silva
Arquitecto / Architect

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Resultando de um aquecimento intenso da fina argila roubada ao solo, como uma rocha saída do ventre da Terra, a cerâmica ou o barro cozido é uma sólida herança do homem antigo. Da família daqueles produtos derivados do fogo conquistado aos Deuses por Prometeu, o azulejo carrega essa transcendência mágica da humanidade que pôde reformar a Terra para a tornar durável e estável, para já depois dos entes vivos…

O azulejo é uma afinidade do tamanho do corpo desse humano que o manipula, o transporta e aplica, à mão e com as mãos, e por isso sempre se afigura íntimo. Disponível e apreensível no seu módulo elementar, adveio célula da repetição e da composição de conjuntos maiores que condicionam espaços e abrigam o próprio corpo.

O azulejo é o acabamento, o refinamento, a superfície que reveste protegendo e tapa encobrindo. Anula o rude ou o grosseiro, ou preserva o organismo construído, abrigando o próprio abrigo. Vitrificado, é limpo e liso, polido e potencialmente reflector. Sem poros – e por isso – é afirmado contra a água no interior e no exterior das construções.

Com a repetição do módulo, o azulejo consubstancia a geometria e a matemática, à sua maneira. Com o vidrado predestina-se à figuração e à abstração. A linha, a textura, a côr e a tridimensionalidade reinventam-se no módulo e no sistema, no elemento e na estrutura, no timbre e no ritmo de fecundas composições.

O azulejo é já nosso, de tal modo persiste e se renova sob o idioma português e o serve, reinterpretando o modo de ser e de o ser, há 500 anos e por tantos improváveis lugares da Terra: Em modos e sentidos deste lugar celeste, persuadido e afeiçoado a uma maneira tão plural de sentir e organizar.

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Resulting from an intense heating of the fine clay stolen from the ground, like a rock out of the Earth’s womb, pottery or baked clay is a solid heritage of ancient man. From the family of those products derived from the fire conquered to the Gods by Prometheus, the tile bears this magical transcendence of mankind that could reform the Earth to make it durable and stable, for now, after the living beings…

The tile is an affinity of the size of the body of this human who manipulates, transports and applies it by hand and with his hands, and so it always seems intimate. Available and apprehensible in its elementary module, it became a cell of repetition and composition of larger sets that condition spaces and harbour the body itself.

The tile is the finish, the refinement, the surface covering that protects and conceals. It cancels the rude or the coarse, or preserves the built organism, sheltering its own shelter. Vitrified, it is clean and smooth, polished and potentially reflective. With no pores – is therefore – asserted against water inside and outside the buildings.

With the module repetition, the tile consubstantiates geometry and mathematics in its own way. With the glaze it is predestined to figuration and abstraction. The line, texture, colour and three-dimensionality reinvent themselves in the module and in the system, in the element and in the structure, in the tone and in the rhythm of the fertile compositions.

The tile is already ours, as it persists and is renewed under the Portuguese language and serves it, reinterpreting the way of being and of being, for 500 years and for so many improbable places on Earth: In ways and senses of this heavenly place, persuaded and fond of such a plural way of feeling and organizing.

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Maria Ana Vasco Costa
Artista-Ceramista / Ceramist

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Na sua descrição mais simples o azulejo é uma peça de cerâmica de pouca espessura geralmente, quadrada, em que uma das faces é vidrada.

Para mim o azulejo é um instrumento através do qual exprimo ideias de padrão e textura à escala da arquitectura.

Interessam-me as possibilidades que o corpo cerâmico acabado proporciona – nomeadamente no que diz respeito a cor, profundidade, temperatura, variação e som.

Sabemos que o azulejo não é apenas um revestimento duradouro, isolante e refletor – pela sua técnica de manufactura permite explorar inúmeras variações plásticas e visuais através no binómio forma/cor.

O azulejo é um revestimento altamente resistente e de fácil manutenção, revelando simultaneamente nos edifícios uma presença singular – é esta característica que motiva a minha investigação em torno deste material.

Ao introduzir a tridimensionalidade e a variação da forma (alternativa ao quadrado), o azulejo gera diferentes padrões, fazendo refletir a luz e produzindo sombras na superfície. Desencadeiam-se assim novos elementos para a composição, em que a conjugação do desenho da peça, cor e padrão traduz infinitas possibilidades plásticas.

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In its simplest description the azulejo (tile) is a piece of ceramic of little thickness, usually square, in which one of the faces is glazed.

For me the tile is an instrument through which I express ideas of pattern and texture at the scale of architecture.

I am interested in the possibilities that the finished ceramic body provides – namely with regard to colour, depth, temperature, variation and sound.

We know that the tile is not only a durable, insulating and reflective covering – by its manufacturing technique it allows to explore numerous of plastic and visual variations through the binomial form / colour.

The tile is a highly resistant covering and of easy maintenance, simultaneously revealing in the buildings a unique presence – it is this characteristic that motivates my investigation around this material.

By introducing three-dimensionality and shape variation (alternative to the square), the tile generates different patterns, reflecting light and producing shadows on the surface. It thus trigger new elements to the composition, in which the conjugation of the design of the piece, colour and pattern translates to infinite plastic possibilities.

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Vítor Serrão
Az – RIA (ARTIS – IHA/FLUL)
Historiador de Arte / Art Historian

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A arte do Azulejo constitui um dos traços de maior originalidade do património português. Trata-se de uma modalidade que, em termos técnicos, formais e estilísticos, se mostrou sempre apta a superar a constância e repetitividade dos seus módulos, transformando-os em linguagens compositivas eloquentes.

A razão porque o olhar contemporâneo valoriza o azulejo como um dos valores mais expressivos de toda a arte portuguesa radica na constatação desse seu poder admirável de se colar aos espaços, sacros ou civis, públicos ou privados, militares ou áulicos, em linguagens mais eruditas ou ingénuas.

Os revestimentos cerâmicos, dos mais singelos aos mais elaborados, atestam sempre a força e pujança decorativa de uma arte que, independentemente da época histórica ou do estilo dominante, se mostrou sempre capaz de conferir ao espaço da arquitectura um verdadeiro carácter vernacular, uma linguagem forte, que comunga com as outras artes de decoração e se sabe exprimir em português.

A arte portuguesa foi, pelo menos desde o século XV, a principal produtora e utilizadora desse poderoso gosto ornamental, que se espalhou com eficiência pelo espaço europeu e pelos domínios ultramarinos com uma intensidade que não encontra paralelo em nenhum outro país. Torna-se especialmente notável a sempre imaginosa expressão criativa que levou os artistas do azulejo a aplicá-lo numa espécie de membrana sensível dos espaços arquitectónicos, com soluções onde a fantasia e a criatividade, as relações com a luz e com o ‘espírito dos lugares’ articulam os materiais de modo que atinge, por vezes, escalas absolutamente magistrais.

A História da Arte tem sabido adequar as suas metodologias de estudo e referenciação às difíceis e complexas subtilezas de uma arte que não pode mais ser resumida à biografia de alguns artistas ou à elencagem de ciclos estilísticos, mas que precisa de ser investigada, estudada e fruída numa dimensão interdisciplinar numa visão global, tantas são os questionamentos que a sua força criadora nos coloca, hoje e sempre.

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The art of Azulejo is one of the most original features of the Portuguese heritage. It is a modality that, in technical, formal and stylistic terms, has always been able to overcome the constancy and repetitiveness of its modules, transforming them into eloquent compositional languages.

The reason that the contemporary view values the tile as one of the most expressive values of all Portuguese art lies in the discovery of its admirable power to cling to spaces, sacred or civil, public or private, military or aulic, in more erudite or naive languages.

The ceramic coverings, from the most simple to the most elaborate, always attest to the decorative strength and vigor of the tilework. This art, has always been able to confer to the architectural space a true vernacular character, a strong language, who communicates with the other decorative arts and knows how to express itself in Portuguese.

Portuguese art has been, at least since the 15th century, the main producer and user of this powerful ornamental taste, which has spread efficiently throughout Europe and overseas with an intensity that is unparalleled in any other country.

The imaginative creative expression that has led tile artists to apply it to a kind of sensitive membrane of architectural spaces is especially noteworthy, with solutions where fantasy and creativity, relationships with light and with the ‘spirit of places’ articulate the materials in a way that sometimes reaches absolutely magisterial scales.

Due to the many questions that its creative force puts before us (today and always), Art History has adapted its methodologies of study to the difficult and complex subtleties of an art that can no longer be summed up to the biography of some artists or to the stylistic cycles, but that needs to be investigated, studied and enjoyed in an interdisciplinary dimension within a global vision.

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Suzana Barros
Ceramista / Ceramist

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O azulejo é pele. É o suporte de ideais, sonhos, pensamento, gestos, jogos de formas, desenho e técnicas.
É repetição e multiplicação caleidoscópica. É geometria e ergonomia.
Tem por base a terra.
A água volátil transporta os óxidos, as sílicas, os sais, todos os pós que o fogo transformará em registos únicos, quase eternos.
Espelham os reflexos das cidades. Desenham arquitecturas em jogos de ampliação de espaços a azul.
Casam com gravuras de época. Fingem mármores e enganam os olhares.
Expandem-se além fronteiras, absorvem influências de viagens percorridas.
São olhares sobre outras culturas, interpretados…
É orgulho quase imperceptível. Nacionalidade.

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The azulejo (tile) is skin. It is the support of ideals, dreams, thoughts, gestures, games of forms, drawings and techniques.
It is repetition and a kaleidoscopic multiplication. It’s geometry and ergonomics.
It’s based is the land.
Volatile water carries the oxides, silicas, salts, all powders that the fire will transform into unique, almost eternal records.
They mirror the reflections of cities. They devise architectures in games of magnification of spaces in blue.
They marry with period engravings. They fake marbles and deceive glances.
They expand beyond borders, absorb influences of journeys traveled.
They are looks on other cultures, interpreted …
It is an almost imperceptible pride. Nationality.

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Pedro Sá Costa
Arquitecto / Architect

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De origem árabe, o azulejo é peça incontornável do património cultural e arquitetónico Português desde há vários séculos. A sua utilização como elemento decorativo desde cedo seduziu a nobreza e o clero, permitindo a criação de painéis decorativos que adicionavam brilho e ostentação a palácios, conventos, igrejas e solares com motivos decorativos que ecoavam temáticas variadas, desde feitos históricos a cenas religiosas ou do quotidiano. A arte da azulejaria, que vem a ter um grande desenvolvimento desde os descobrimentos, permite que o azulejo se apresente como um elemento versátil que se adapta às necessidades e acompanha os estilos das diferentes épocas, resistindo ao passar do tempo. A partir do século XIX a sua visibilidade ganha novo protagonismo com o fabrico em série e a sua utilização corrente em edifícios, permitindo não só a integração da pintura na arquitetura como o uso da cor de forma permanente, criando uma capa protetora de elementos vidrados que adia a manutenção das fachadas.

Na década de 50 do século passado a utilização do azulejo na arquitetura envereda por parâmetros funcionalistas internacionais que espelham os ideais modernistas, criando-se então uma cooperação estreita entre arquitetos e vários artistas plásticos. A obra de Maria Keil, encomendada propositadamente para várias estações do Metropolitano de Lisboa, converte-se num caso paradigmático de trazer a arte para uma infraestrutura pesada que, regra geral, dispensa a beleza em prol da funcionalidade. Outros artistas se seguem, como Vieira da Silva, Júlio Pomar, Manuel Cargaleiro, Eduardo Nery e Júlio Resende, a fazer a ponte entre a arte e arquitetura, com a criação de painéis cerâmicos por encomenda não só para o Metropolitano de Lisboa, mas para vários edifícios e espaços públicos um pouco por todo o país. Décadas mais tarde a utilização do azulejo na arquitetura ganha um novo impulso com as várias obras de referência construídas para a Expo 98, nomeadamente na utilização de grandes painéis monocromáticos de azulejos artesanais de cores fortes no Pavilhão de Portugal (Álvaro Siza Vieira) ou na extraordinária recriação de enormes imagens “pixeladas” de animais marinhos através da utilização de peças cerâmicas aparentemente desconexas no Oceanário de Lisboa (Ivan Chermayeff). Como tem sido possível observar, esta reinvenção tem sido uma constante, com o azulejo a tomar novas formas para criar efeitos surpreendentes. O impressionante padrão hexagonal tridimensional aplicado como escama no Terminal de Cruzeiros de Leixões (Luís Pedro Silva) e repetido quase um milhão de vezes leva-nos instantaneamente a querer tocar esta pele que cobre o edifício e que reflete a luz sempre de forma diferente ao longo do dia. Igual efeito é conseguido com as peças bidimensionais desenhadas propositadamente para revestir a ondulante fachada do MAAT em Lisboa (Amanda Levete), criando um irresistível jogo de reflexos entre o edifício e o rio Tejo. Com o avanço da tecnologia imagina-se que o potencial de evolução deste material se encontre ainda longe de estar esgotado.

É esta a matriz da arquitetura portuguesa contemporânea, que combina modernidade com um regionalismo muito próprio, e é aqui onde ainda hoje buscamos inspiração enquanto arquitetos. O desafio será agora continuar a saber reinventar o azulejo, tal como temos sabido fazer nestes últimos séculos, acrescentando beleza aos nossos edifícios e cidades.

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Of Arab origin, the azulejo (tile) is part of the Portuguese cultural and architectural heritage for several centuries. Its use as a decorative element soon seduced the nobility and clergy, allowing the creation of decorative panels that added brightness and ostentation to palaces, convents, churches and manor houses. Its decorative motifs echoed varied themes, from historical themes to religious scenes or from the everyday life. The art of tile, which has been in developing since the Portuguese discoveries, proved to be a versatile element that adapts to the styles of different eras, resisting the passage of time. From the 19th century, its visibility gained new prominence with its current use in buildings. Thus, it allows not only the integration of painting into architecture but also the permanently use of colour, creating a protective layer of glazed elements that postpones the maintenance of the façades.

In the 1950’s, the use of tile in architecture was based on international functionalist parameters that mirrored the modernist ideals, creating close cooperation between architects and various artists. The work of Maria Keil, purposely commissioned for several stations in the Lisbon Underground, is a paradigmatic case of bringing art to a heavy infrastructure that, as a rule, dispenses with beauty for the sake of functionality. Other artists follow, such as Vieira da Silva, Júlio Pomar, Manuel Cargaleiro, Eduardo Nery and Júlio Resende, that bridge the gap between art and architecture, with the creation of custom-made ceramic panels not only for the Lisbon Underground but for several buildings and public spaces all over the country. Decades later the use of the tile in the architecture gains a new impulse with several works of reference built for Expo’98, namely in the use of large artisan monochrome tile panels of strong colors in the Pavilion of Portugal (Álvaro Siza Vieira) or in the extraordinary recreation of enormous “pixelated” images of marine animals through the use of seemingly unconnected ceramic pieces in the Oceanário de Lisboa (Lisbon Aquarium) (Ivan Chermayeff). As has been observed, this reinvention has been a constant, with the tile taking new forms to create amazing effects. The impressive three-dimensional hexagonal pattern applied as a scale at the Leixões Cruise Terminal (Luís Pedro Silva) and repeated almost a million times makes us instantly to want to touch this skin that covers the building and that reflects the light always differently throughout of the day. The same effect is achieved with the two-dimensional pieces purposely designed to cover the undulating façade of the MAAT in Lisbon (Amanda Levete), creating an irresistible game of reflections between the building and the river Tagus. With the advancement of technology one can imagine that the potential for evolution of this material is still far from exhausted.

This is the matrix of contemporary Portuguese architecture, which combines modernity with a very own regionalism, and it is here where we still seek inspiration as architects. The challenge will now be to continue to know how to reinvent the tile, as we have been doing in these last centuries, adding beauty to our buildings and cities.

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Ivan Chermayeff*
Designer

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To me and many designers who work with architects, a tile is a ceramic form, commonly a square of some manageable dimension, made to be applied and repeated on a flat architectural surface as a decorative edge or entire surface. The tile need not be a square, but it must connect to another tile in a logical way that can complete or decorate a surface.

The graphic design must be simple enough to reproduce.

In our experience, this can accomplish bringing a symbol or trademark into play on the façade or the entire building completely — or at least over the public entrance from one end to the other, usually above the doors.

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* Ivan Chermayeff, que faleceu no passado domingo, também respondeu à pergunta “o que é o azulejo?”. Hoje publicamos o seu texto, enviado a 28 de Setembro de 2017, lamentando profundamente o seu desaparecimento. / Ivan Chermayeff, who passed away last Sunday, also answered the question “what is the tile?”. Today we publish his text, sent on September 28, 2017, deeply regretting his passing.

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Ana Luísa Velosa
Universidade de Aveiro
Engenheira Civil / Civil Engineer

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O azulejo é um misto de materiais que foram sujeitos à ação do tempo. Tem um corpo cerâmico e um acabamento vidrado. Em ambos os casos, a composição varia consoante a época e o centro produtivo. A evolução das técnicas de execução do azulejo, de processos manuais a semi-idustriais teve implicações nas matérias-primas utilizadas quer na chacota, quer no vidrado. Assim, apesar do aspeto quadrado similar, a composição material do azulejo é cheia de diversidade.

Esta diversidade é acentuada com a passagem do tempo. O azulejo, colocado amiúde como revestimento interior, é mudado pela cal das argamassas de assentamento e pela sua exposição. Os ciclos de humidade e de frio e calor contraem e expandem vidrado e chacota de forma diferencial, potenciando processos de degradação. A cal das argamassas preenche parte da porosidade da chacota e, transportada pela água, às vezes chega às zonas de ligação entre chacota e vidrado.

É assim o azulejo, tão variado. Não só os materiais que originalmente lhe deram forma e cor são diversos, como as marcas do tempo o mudam como material.

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The azulejo (tile) is a mixture of materials that have been subjected to the action of time. It has a ceramic body and a glazed finish. In both cases, the composition varies according to its manufacturing period and the production center. The techniques’ evolution, from manual to semi-industrial processes, had implications on the raw materials used both in the “chacota” (first firing) and the glaze. Thus, despite the similar square appearance, the material composition of the tile is full of diversity.

This diversity is accentuated by the passage of time. The tile, often placed as interior covering, is changed by the lime of mortars laying and by its exposure. The humidity, heat and cold cycles constrict and expand the glazing and the “chacota” (first firing) differentially, boosting the degradation processes. The lime of mortars fills part of the porosity of the “chacota” and, carried by the water, sometimes arrives at the connection areas between the “chacota” and the glaze.

This is the tile, so varied. Not only the materials that originally gave it shape and colour are diverse, as the marks time alter it as a material.

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Fábio Carvalho
Artista / Artist

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Para muito além de “uma peça de cerâmica de pouca espessura, geralmente quadrada, em que uma das faces é vidrada e brilhante”, azulejos são também, e para mim, principalmente, pedaços de memória afetiva, motivo de orgulho e identidade nacional (principalmente de Portugal, mas não apenas!). Os azulejos despertam paixões que unem pessoas, afinal, estamos todos aqui em torno destes textos por quê, não é mesmo? Quando apropriado pela arte contemporânea, o que tem acontecido muito nos últimos anos (viva!), o azulejo pode tornar-se veículo de crítica e reflexão social, assunto para as mais variadas formas de discursos artísticos.

Meu interesse por azulejaria antiga começou com as aulas que tive sobre o tema em 2008, com a professora Dora Monteiro de Alcântara. Foi um curso compacto porém intenso, dentro do programa do Mestrado de Arqueologia do Museu Nacional (UFRJ). Naqueles poucos dias de aulas teóricas e práticas, e excursões por museus e igrejas, foi em mim inoculado o vírus da “gripe” do azulejo, que de imediato me abriu os olhos para algo que estava ali, pelas ruas de minha cidade natal, e eu sequer notava! Mas esta “gripe” ainda haveria de me levar por caminhos inesperados.

Em 2011 fui convidado a participar do projeto “Bordallianos do Brasil”, que me levou até Caldas da Rainha, em Portugal, para conhecer e reinterpretar a obra cerâmica do grande artista português Bordalo Pinheiro. Aproveitei para também passar 10 dias entre Lisboa e Porto, e após um mês em Portugal, me tornei um apaixonado por tudo o que diz respeito à gente e às terras lusas, e meu interesse pela azulejaria só fez crescer. De volta ao Brasil, aquela bela palavra que só há em nosso idioma – saudade – me fez buscar um meio de, mesmo que apenas afetivamente, me manter em conexão com Portugal. E assim comecei a “caçar” os azulejos antigos no Rio de Janeiro.

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Far beyond “a piece of ceramics of little thickness, usually square, in which one face is glazed and shiny”, azulejos (tiles) are also, and mainly for me, bits of affective memory, motive of pride and national identity (especially of Portugal, but not only!). The tiles awaken passions that unite people, after all, we are all here around these texts because of them, is it not? When appropriate by contemporary art, which has happened a lot in recent years (hurray!), the tile can become a vehicle of criticism and social reflection, subject for the most varied forms of artistic discourse.

My interest in antique tiles started with the classes I had on the subject in 2008, with Professor Dora Monteiro de Alcântara. It was a compact but intense course, within the program of Master of Archeology of the National Museum (UFRJ). In those few days of theoretical and practical classes and visits to museums and churches, I was inoculated with the tile “flu” virus, which immediately opened my eyes to something that was there, in the streets of my hometown, and I did not even noticed! However, this “flu” would still lead me through unexpected paths.

In 2011 I was invited to participate in the project “Bordallianos do Brasil”, which took me to Caldas da Rainha, Portugal, to better know and reinterpret the ceramic work of the great Portuguese artist Bordalo Pinheiro. Also, I enjoyed spending 10 days between Lisbon and Porto, and after a month in Portugal, I became passionate about everything -the people and the Portuguese lands -, and my interest in tiles grew exponentially. Back in Brazil, that beautiful word that exists only in our language – saudade [1] – made me seek a means of, even if only affectively, to maintain myself in connection with Portugal. And so I began to “hunt” the old tiles in Rio de Janeiro.

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[1] Saudade is similar to homesickness, longing or yearning, but there is not a word in the english language that can accurately translate its true and real meaning.