FINGIMENTOS DE AZULEJO: SINGULARIDADES E COMPARATISMOS

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⚠️ ATENÇÃO ⚠️

Considerando a evolução da situação relativa ao COVID-19, a reitoria da Ulisboa decidiu suspender todas as actividades lectivas, e outras, até dia 27 de Março, estando assim cancelado o AzLab deste mês, que teria lugar na próxima quarta-feira, dia 11 de Março.

Retomaremos o AzLab assim que for possível.

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AZULEJO PRETENCES: SINGULARITIES AND COMPARISONS


⚠️ ATENÇÃO ⚠️

Considering the evolution of the situation regarding COVID-19, Ulisboa president’s office decided to suspend all teaching activities, and others, until March 27th, thus canceling this month’s AzLab (March 11st).

We will retake the AzLab as soon as possible.

FINGIMENTOS DE AZULEJO: SINGULARIDADES E COMPARATISTAS

11 de Março ​​de​ ​2020​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​B5

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Resumo

Se existem características diferenciadoras da arte portuguesa, uma das mais marcantes foi, é, e será no futuro, essa sua imaginosa capacidade de criar novos efeitos cenográficos mesmo quando os recursos são frágeis, as técnicas rudimentares e os materiais singelos. As decorações artísticas dos nossos espaços em estilo chão, sobretudo os da época barroca (mas não apenas esses), ilustram esse talento inato de tirar partido dos meios e processos de fazer, gerando resultados ornamentais visualmente poderosos.

O Azulejo ofereceu-se, neste domínio do engenho, como arma poderosa. Vemos pintura de brutesco associada a azulejos reais e fingidos, à intársia simulada, aos marmoreados fictícios, aos stucchi, esgrafitos, e a outras singulares vias de fingimento artístico: uma obra-prima do nosso engenho de decorar!​ Por isso, se na arte portuguesa dos séculos XVII e XVIII não encontramos, por certo, a pompa das cortes de Roma e Viena ou da Versailles de Luís XIV (o Rei Sol), existe, sim, uma forma sui generis de afirmar a nossa ardência cenográfica.

Esta espécie de “Barroco escrito em português” é intensa de engenho onírico, ao saber extrair dos vários “géneros” o melhor das suas potencialidades: azulejo e fresco, esgrafito e estuque, embrechado e escaiola, em uníssono num modo de decorar tanto espaços eruditos como regionais, tanto edifícios sacros como civis. Dão-se exemplos do século XVII como os frescos de José de Escovar na igreja de São Brissos (Montemor-o-Novo), um tecto imitando azulejo num salão da igreja de São Tiago em Torres Novas, ou o deslumbrante interior da igreja de São Tiago em Évora (azulejos de Gabriel del Barco e brutescos de Lourenço Nunes Varela, 1699-1700), ou ainda, já do XVIII, uma capela na Misericórdia da Lourinhã com imitação de azulejos. Existiu na arte portuguesa um inusitado propósito de totalidade, espécie de bel composto belloriano transplantado desde Itália para o imaginário ornamental de um país pobre. Numa época como a actual, em que a História da Arte começa a despertar atenções para tais manifestações decorativas outrora menorizadas pelo gosto dominante, importa revalorizar este uso do azulejo (real ou fictício) como elemento relevante da inovação decorativa portuguesa.

Vítor Serrão | ARTIS – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa |

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AZULEJO PRETENCES: SINGULARITIES AND COMPARISONS


March 11st, 2020
 |
18h00
School of Arts and Humanities of the University of Lisbon | room B5

Abstract

If there are differentiating characteristics in Portuguese art, one of the most striking was, is, and will be in the future, the imaginative ability to create new scenographic effects even when the resources are fragile, the existence of rudimentary techniques and simple materials. The artistic decorations of our estilo chão (plain-style) spaces, especially those from the Baroque era (but not just those), illustrate this innate talent of taking advantage of the known means and processes of making, generating visually powerful ornamental results.

Azulejo (tile) offered itself, in this domain, as a powerful weapon. We see brutesque painting associated with real and fictitious azulejos, simulated intarsia, fictitious marbling, stucchi, graffiti, and other unique ways of artistic pretence: a masterpiece of our ingenuity to decorate! Therefore, if in the 17th and 18th centuries Portuguese art we certainly do not find the splendor of the courts of Rome and Vienna or Louis the 14th’s Versailles (The Sun King), there is, nevertheless, a sui generis way of affirming our scenic ardency.

This kind of “Baroque written in Portuguese” is intense of dreamlike ingenuity, knowing how to extract from the various “genres” the best of its potentialities: tile and fresco, graffiti and stucco, embrechado and scagliola, in unison in a way to decorate both erudite spaces and regional, both sacred and civil buildings. Examples of the 17th century are given, such as the José de Escovar frescoes in the church of São Brissos (Montemor-o-Novo), a ceiling imitating tile in a hall of the church of São Tiago in Torres Novas, or the stunning interior of the church of São Tiago in Évora (Gabriel del Barco azulejos and Lourenço Nunes Varela brutesques, 1699-1700), or even, from the 18th century, a chapel in Misericórdia da Lourinhã with imitation tiles. In Portuguese art, there was an unusual purpose of totality, a kind of a Bellorian bel composed (beautiful) transplanted from Italy to the ornamental imagery of a poor country. At a time like the present, when the History of Art begins to attract attention for such decorative manifestations that were once lessened by the dominant preference, it is important to revalue this use of tiles (real or fictitious) as a relevant element of Portuguese decorative innovation.

Vítor Serrão | ARTIS – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa |

⚠ COVID-19 ⚠


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Na sequência das medidas de precaução adicionais devido ao COVID-19, impostas pela FLUL, informamos que, a título excepcional, a participação no próximo AzLab#56 implica OBRIGATORIAMENTE inscrição prévia devido ao número máximo de participantes que poderemos admitir.

📩👉 As inscrições devem ser enviadas até dia 9 de Março para o seguinte endereço: redeazulejo@letras.ulisboa.pt

Muito agradecemos a compreensão de todos!

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In order to follow the demands by FLUL regarding the preventive measures due to COVID-19, we inform you that the participation in the upcoming AzLab#56 requires exceptionally and MANDATORY prior registration.

📩👉 Entries must be sent until March 9th to the following address: redeazulejo@letras.ulisboa.pt

Thank you very much for your comprehension!

FINGIMENTOS DE AZULEJO: SINGULARIDADES E COMPARATISMOS

11 de Março ​​de​ ​2020​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​B5

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Convidado:
Vítor Serrão [ARTIS – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa]

É Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e investigador integrado do ARTIS – IHA/FLUL. Nasceu em Toulouse, França (Dezembro de 1952). Licenciado pela Universidade de Lisboa (1974), tem Mestrado pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (1982) e Doutoramento pela Universidade de Coimbra (1992). Especializou-se no estudo da pintura portuguesa renascentista, maneirista e barroca, bem como em Teoria da Arte e no campo da salvaguarda do Património,  e é autor de numerosa bibliografia nestes domínios. Destacam-se os livros O Maneirismo e o Estatuto Social dos Pintores Portugueses (1983), A Cripto-História da Arte. Análise de Obras de Arte Inexistentes (2001), A Trans-Memória das Imagens (2007) e O Fresco Maneirista do Paço de Vila Viçosa, Parnaso dos Duques de Bragança (2008), e os catálogos das exposições Josefa de Óbidos e o tempo barroco (IPPC, 1991), A Pintura Maneirista em Portugal, arte no tempo de Camões (CCB, 1995) e Rouge et Or. Trésors du Baroque portugais (Paris, 2001). É membro do conselho redatorial das revistas Artis e Archivo Español de Arte.

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AZULEJO PRETENCES: SINGULARITIES AND COMPARISONS


March 11st, 2020
 |
18h00
School of Arts and Humanities of the University of Lisbon | room B5

Invited speaker:
Vítor Serrão [ARTIS – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa]

Vítor Serrão is a Full Professor at the School of Arts and Humanities of the University of Lisbon and an integrated researcher at ARTIS – IHA/FLUL. He was born in Toulouse, France (December, 1952). He has a degree from the University of Lisbon (1974), a Master’s degree from the School of Social Sciences and Humanities (1982) and a Ph.D. from the University of Coimbra (1992). He specializes in the study of Renaissance, Mannerist and Baroque Portuguese painting, as well as in Theory of Art and in the field of safeguarding Heritage, and is the author of numerous bibliographies in these fields. Highlighting the following books: O Maneirismo e o Estatuto Social dos Pintores Portugueses (1983), A Cripto-História da Arte. Análise de Obras de Arte Inexistentes (2001), A Trans-Memória das Imagens (2007) and O Fresco Maneirista do Paço de Vila Viçosa, Parnaso dos Duques de Bragança (2008), and the exhibitions catalogues of Josefa de Óbidos e o tempo barroco (IPPC, 1991), A Pintura Maneirista em Portugal, arte no tempo de Camões (CCB, 1995) and Rouge et Or. Trésors du Baroque portugais (Paris, 2001). He is a member of the editorial board of the journals Artis and Archivo Español de Arte.

FINGIMENTOS DE AZULEJO: SINGULARIDADES E COMPARATISMOS

11 de Março ​​de​ ​2020​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​B5

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A partir de vários exemplos dos séculos XVII e XVIII, Vítor Serrão propõe, neste AzLab#56, abordar os fingimentos de azulejo reflectindo sobre o seu uso, real ou fictício, enquanto elemento relevante da inovação decorativa portuguesa.

Convidado:
Vítor Serrão [ARTIS – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa]

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AZULEJO PRETENCES: SINGULARITIES AND COMPARISONS


March 11st, 2020 | 18h00 School of Arts and Humanities of the University of Lisbon | room B5

Based on several examples from the 17th and 18th centuries, Vítor Serrão proposes, in this AzLab#56, to approach tile pretences and also a reflection on their use, real or fictitious, as a relevant element of Portuguese decorative innovation.

Invited speaker:
Vítor Serrão [ARTIS – Instituto de História da Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa]

AZULEJO: UM MANTO ARQUITECTÓNICO ENTRE O BRILHO E A COR

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Resumo

Cor é luz. Assim teve início esta sessão dedicada à cor, através da qual o mundo nos é revelado nas suas diferentes formas, volumes e texturas. João Pernão dividiu a sua apresentação em vários “módulos”, os iniciais incidindo sobre os conceitos de cor, luz e brilho, que depois aplicou  a casos práticos de estudos de cor para arquitectura detendo-se, naturalmente, com maior atenção no azulejo.

Um dos aspectos mais destacados foi o brilho. Como projectou num dos seus slides, 

“o brilho é uma característica muito especial da superfície, capaz de alterar a sua cor própria, de reproduzir outras da sua envolvente, e ainda de trazer a luz de forma dinâmica aos espaços, promovendo uma relação diacrónica entre o observador e as superfícies no campo perceptivo visual.” 

O azulejo destaca-se neste contexto, através do vidrado, como um material usado há mais de cinco séculos e é efectivamente capaz de alterar a percepção dos espaços, seja no interior seja em contexto urbano. 

Um dos exemplos em análise foi o das fachadas com revestimento de padrão, mostrando como a percepção da cor e a identificação dos motivos se altera em função da distância – um padrão pode ter múltiplos elementos de diversas cores que se vão perdendo à medida que nos afastamos, até só vermos ao longe uma fachada monocroma. Esta capacidade “camaleónica” da azulejaria permite, do mesmo modo, reflectir a envolvente integrando-se na paisagem – facto a que João Pernão fez menção particularmente nos casos de reabilitação arquitectónica de fachadas.     

Explicando os sistemas de medição de cores que usa, João Pernão concluiu a sessão com os resultados de um estudo desenvolvido com os seus alunos na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa para medir o azul do céu. Os resultados obtidos, cruzados com outras medições de azulejos, permitiram concluir que  o azul do céu é o mesmo dos azulejos barrocos… quando os pintores trouxeram o céu para o interior dos templos e palácios! Esta ideia, e muitas outras, dominou o espaço de debate já no final da sessão.

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AZULEJO: AN ARCHITECTURAL MANTLE BETWEEN BRIGHTNESS AND COLOUR


Session overview

Colour is light. And so it began this session dedicated to colour, through which the world is revealed to us in different shapes, volumes, and textures. João Pernão has divided his presentation into several “chapters”, the first ones focusing on the concepts of colour, light and brightness, which he then applied to practical cases of colour studies for Architecture, with particular emphasis on the tile.

One of the most outstanding aspects was the brightness. As (he) projected on one of his slides,

“brightness is one of the surface’s very special features , capable of altering its colour, reproducing others of its surroundings, and also bringing light to spaces in a dynamic way, by promoting a diachronic relationship between the observer and the surfaces in the vision perceptual field.”

Through the glazing, the tile stands out in this context as a material used for more than five centuries and is effectively able to change the perception of spaces, whether in the interior or in an urban context.

One of the examples analysed was that of façades with a pattern covering, showing how the perception of colour and the identification of motifs changes with distance – a pattern can have multiple elements of different colours that are lost as we move away, until we only see a monochromatic façade in the distance. The tile “chameleonic” ability allows to reflect the surroundings by integrating itself into the landscape, a fact that João Pernão mentioned particularly in cases of architectural rehabilitation of façades.

Explaining the colour measurement systems he uses, João Pernão concluded the session with the results of a study developed with his students at the Faculty of Architecture (University of Lisbon) to measure the blue of the sky. The results obtained, crossed with other measurements of tiles, allowed us to conclude that the blue of the sky is the same as the baroque tiles … when the painters brought the sky into the temples and palaces! This idea, and many others, lead the debate at the end of the session.

AZULEJO: UM MANTO ARQUITECTÓNICO ENTRE O BRILHO E A COR

19 de Fevereiro ​​de​ ​2020​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​B5

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Resumo

Portugal tem reconhecidamente um dos maiores patrimónios mundiais em revestimento azulejar, único mesmo no que diz respeito à sua aplicação extensa como revestimento arquitectónico.

O azulejo como revestimento arquitectónico tem características e qualidades excepcionais, materiais e espaciais, desde a espantosa diferença de percepção com a distância e o ângulo de observação, às diferentes texturas, cores e padrão, até ao brilho que metamorfoseia o volume e as dimensões da construção.

A cor, elemento efémero e fugidio, encontra no azulejo o seu campo de eleição para uma expressão sensorial em contínua alteração.

João Pernão | Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa / Associação Portuguesa da Cor 

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AZULEJO: AN ARCHITECTURAL MANTLE BETWEEN BRIGHTNESS AND COLOUR


February 19th, 2020 | 18h00 |School of Arts and Humanities of the University of Lisbon | room B5

Abstract

Portugal is recognized as one of the largest world heritage sites in azulejo (tile) covering, unique even concerning its extensive application as an architectural cover.

Tile as an architectural covering has exceptional material and spatial characteristics and qualities, from the astonishing difference in perception with distance and viewing angle, different textures, colours, and patterns, to the sheer metamorphosis of the building’s volume and dimensions.

Color, ephemeral and elusive, finds in the tile its field of choice for a sensory expression in perpetual alteration.

João Pernão | Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa / Associação Portuguesa da Cor  [free translation]