ARTE & ARQUITECTURA

26 de Fevereiro de 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

Azulejo e Arquitectura
A especificidade do Azulejo como modalidade artística maior do Património português ao longo dos séculos da Idade Moderna e Contemporânea, afirmou-se (e continua a afirmar-se) com especial originalidade, através da sua articulação cenográfica com as formas e espaços da Arquitectura. As fachadas revestidas de azulejaria, tanto de padronagem como de figuração, assim como os espaços intestinos das casas residenciais, as escadarias urbanas, as câmaras palatinas, as capelas e oratórios domésticos, os pátios, os bancos de jardim, e outros lugares de vivência social, testemunham as vitalidades de um diálogo inesgotável entre linhas construtivas e formas cerâmicas, sem paralelo noutros contextos culturais fora das fronteiras do chamado “mundo português”. Essa sublime expressão dialogal, que tira partido dos efeitos cromáticos e das variáveis matizes lumínicas, afeiçoa este gosto português pelas linguagens sui generis, que são em absoluto originais e ousadas, no modo como, através dela, atenua as fronteiras tradicionais entre a arte erudita e as artes vernáculas, transformando-as em jogos de simbiose especialmente encantadores.

Trata-se de um património único pela sua diversidade e quantidade, posto que ameaçado, muitas vezes, pela insensibilidade das tutelas e das intervenções construtivas, o que justifica um esforço acrescido de estudo sistemático, de inventariação exaustiva, de cuidados preventivos e de salvaguarda – tal como, há muito tempo já, era  defendido por especialistas como Santos Simões, Mário Barata, Dora Alcântara, Irisalva Moita, José Meco, e vários outros estudiosos das fachadas. Os recentes estudos de Ana Almeida neste campo, explorando a intimidade das relações entre a arquitectura e o azulejo ao nível do projecto, abre um caminho significativo para se definirem melhor os processos construtivos e decorativos e se perceberem estas opções estéticas, que falam em português. Estas arquitecturas com azulejo expressam numa linguagem de múltiplas originalidades, que se repete em incontáveis variantes pelos espaços do “mundo português”. O olhar sobre este património plural conjuga-se com a abordagem de Ana Mehnert Pascoal, no seu livro «A cidade do saber», onde estuda o património artístico integrado nos edifícios projectados por Porfírio Pardal Monteiro para a Cidade Universitária de Lisboa entre 1934 e 1961, com ênfase aos revestimentos de azulejo por artistas contemporâneos como Hein Semke, Fred Kradolfer, Querubim Lapa ou Jorge Barradas.

Vítor Serrão    | Director do ARTIS – Instituto de História da Arte (FLUL) e da RTEACJMSS |

_____________________________________________________

ART & ARCHITECTURE

February 26, 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa |  room 5.2

Azulejo and Architecture
The specificity of the azulejo, century-long artistic practice in Portuguese heritage, throughout the modern and contemporary eras, has stood out (and still stands out) with remarkable originality in its scenic articulation with Architecture’s forms and spaces. Tile-covered façades, both figurative and patterned, as well as the inner rooms of private houses, urban stairwells, palace chambers, domestic chapels and oratories, courtyards, park benches and other settings of social life bear witness to the vividness of an endless dialogue between built shapes and ceramic motifs, unparalleled in other cultural contexts outside the so-called “Portuguese world”. This sublime dialogic expression, profiting from chromatic effects and variable luminous nuances, helps shape the Portuguese proneness to sui generis forms of language, undoubtedly original and daring, and dilutes the frontiers traditionally set between erudite and vernacular art, turning them into a symbiotic interplay of outstanding charm.

This kind of heritage, although unique for its diversity and quantity, is often jeopardised by the insensitivity of governing entities and construction campaigns, which calls for an increased effort in its systematic study, thorough inventory, preventive care and safeguard – as has been claimed, for a long time, by experts such as Santos Simões, Mário Barata, Dora Alcântara, Irisalva Moita, José Meco, and various other façade historians. The recent work by Ana Almeida, exploring the intimate relationship between the use of azulejos and architectural design, during the project phase, paves the way to a closer definition of these constructive and decorative processes, as well as to the overall aesthetic options they resort to, which speak in Portuguese. This kind of solutions makes use of a language that incorporates several original features, repeated in countless variants throughout the “Portuguese world”.

The focus on this multi-layered heritage is also present in an approach by Ana Mehnert Pascoal, in her book “A cidade do saber”, which deals with the artistic heritage integrated in the buildings designed by Porfírio Pardal Monteiro for the campus of the University of Lisbon, between 1934 and 1961. The work highlights the building surfaces covered with azulejos, designed by contemporary artists such as Hein Semke, Fred Kradolfer, Querubim Lapa or Jorge Barradas. 

Vítor Serrão    | Director of ARTIS – Instituto de História da Arte (FLUL) and RTEACJMSS |

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s