A REFUNCIONALIZAÇÃO DOS EDIFÍCIOS. O AZULEJO NOS HOSPITAIS DE LISBOA

21 de Maio de 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

Misericórdia
Este imenso património cerâmico que temos vindo a destacar tem uma origem conventual, mas a história dos edifícios é também a história das instituições que aqui estiveram instaladas ao longo dos tempos, após a extinção das Ordens Religiosas (ou, em alguns casos, a anterior expulsão dos jesuítas). O azulejo, sendo um património integrado, mas com alguma mobilidade, reflecte, de certa forma, as várias adaptações a que os imóveis foram sujeitos.

Observando os revestimentos mais antigos, contemporâneos da utilização dos edifícios como colégio ou conventos, percebe-se que cada um foi estruturado em função de um programa iconográfico, possivelmente relacionado com a funcionalidade original dos espaços. Todavia, estes revestimentos foram sendo objecto de alterações, cuja extensão temos dificuldade em reconhecer, e diferentes espaços receberam novos azulejos, transferidos de outros locais ou resultantes de novas encomendas. Muitos deles testemunham, de forma directa, o envolvimento de “novas” instituições à frente dos destinos destes imóveis. Veja-se o caso, no Hospital de São José, dos painéis representando Nossa Senhora da Misericórdia e o episódio da Visitação, aplicados na designada Escadaria das Consultas já depois da expulsão dos jesuítas (1759) e da instalação do Hospital Real de São José (1775). A presença neste espaço de uma iconografia tão específica encontra justificação no facto da Misericórdia de Lisboa ter sido administradora do Hospital até 1851. Desconhece-se, no entanto, a origem dos painéis, certamente trazidos de outro lugar e aqui aplicados para assinalar visualmente a presença dos irmãos da Misericórdia, num espaço que seria, à época, de forte impacto.

In CARVALHO, Rosário Salema de Carvalho; PAIS, Alexandre; ALMEIDA; Ana AGUIAR, Inês; MARINHO, Lúcia -Do imóvel à plataforma digital. O património azulejar do Centro Hospitalar de Lisboa Central.Actas do Colóquio O Património Artístico das Ordens Religiosas: entre o Liberalismo e a Actualidade.

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THE REUSE OF BUILDINGS. THE AZULEJO IN LISBON’S HOSPITALS


May 21, 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Mercy
The immense azulejo heritage that we have been highlighting has a conventual origin. However, the history of the buildings is also the history of the institutions that had been installed here over the years, after the extinction of the religious orders (or, in some cases, the previous expulsion of the Jesuits). The azulejo, as an integrate heritage that features a certain degree of mobility, reflects – to some extent – the different adaptations that the buildings were subject to.

Observing the older compositions, dating back from when the buildings were used as college or convents, it is clear that each one was structured according to a specific iconographic program, possibly related to the original functionality of the spaces. Nevertheless, these compositions have been subject to changes with an extension hard to recognize nowadays, not to mention that some spaces received new azulejos transferred from other locations or even as result of new orders. Many of these coatings have witnessed, first hand, the involvement of the “new” institutions at the helm of these properties.

This is the case of the panels representing Our Lady of Mercy and the Visitation, placed at one of staircases at the Hospital of S. José, applied after the expulsion of the Jesuits (1759) and the establishment of the Royal Hospital of S. José (1775). The presence, in this space, of such a specific iconography is justified by the fact that the Misericórdia of Lisbon was the administrator of the Hospital until 1851. However, the origin of the panels is unknown, though certainly they were brought from elsewhere and applied here to visually highlight the presence of the brothers of Misericórdia, within a place that must had a strong impact at the time.

In CARVALHO, Rosário Salema de Carvalho; PAIS, Alexandre; ALMEIDA; Ana AGUIAR, Inês; MARINHO, Lúcia -Do imóvel à plataforma digital. O património azulejar do Centro Hospitalar de Lisboa Central.Actas do Colóquio O Património Artístico das Ordens Religiosas: entre o Liberalismo e a Actualidade

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