SALVAGUARDA

12 de Novembro de 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

Azulejo, bem te querem, mal te querem
Paulo Ferrero

É tido e sabido que o azulejo é um factor identitário da nossa cultura. Aliás, se há “arquitectura portuguesa”, o azulejo será o elemento que melhor a caracterizará. Seja pela via decorativa, seja pela utilitária. Foi mesmo, e poderá sê-lo novamente, um “factor de alavancagem” económica nacional, como agora se diz, por força do “efeito multiplicador” inegável a vários níveis e junto de vários segmentos da economia ao longo de alguns séculos, não poucos.

Contudo, caídos em desuso e considerados mesmo objectos desprezíveis, uns, fruto quiçá de algum complexo novo-rico por terem sido associados em finais de XIX a habitações para classes mais baixas, usados como adorno rápido, barato e bonito, por um lado, mas também como factor de melhor climatização das habitações; os azulejos são hoje remetidos, na maioria esmagadora dos casos para acessório de estação de metropolitano ou, pior, de w.c. de terceira categoria.

Chegado aqui, o que eu vejo por Lisboa, e imagino que passe igual no resto do país, resume-se tristemente a isto: ao roubo e à pilhagem sem precedentes de azulejos de fachada e de interior, um pouco por todo o lado, mais a sua frenética estropiação – para o que muito contribui ao desconhecimento técnico generalizado de quem é suposto conservá-los e repará-los, mais uma regulamentação oficial insípida (quando existente) a nível urbanístico (camarário) e comercial, e logo se vê a facilidade com que azulejos de grande valor aparecem no mercado negro, em “sites” por esse mundo fora, “exportados” sabe-se lá como e por quem, rapinados naquela igreja, naquele solar ou, simplesmente, naquele prédio humilde de Campo de Ourique que teve, algures no tempo, uma linda fachada com decoração Arte Nova.

Mas se os boletins de exportação são contornáveis pelos “exportadores”, convivemos diariamente com uma não menos imoral e ilegítima comercialização, feita à vista de todos, à descarada, nas feiras das ladras(os) e nos próprios antiquários, aliás. De onde vêm aqueles azulejos que se vendem por aí? Têm todos o respectivo certificado de origem?

Pois é, tem ido tudo, mesmo, dos azulejos feitos à mão aos produzidos em série; de painéis completos de átrios esquecidos por aí, a azulejos sabiamente picados e retirados estrategicamente de uma ombreira de porta que ninguém soube fechar.

Que fazer para contrariar esta hecatombe patrimonial?

Planos de salvaguarda. Regulamentar de forma inequívoca e eficaz. Ter mão firme nos infractores. Fazer inventários completos. Apostar no azulejo como “cluster”. Relançar o azulejo como elemento decorativo descomplexado e indutor de conforto das habitações. Certificar empresas e especialistas. Fácil.

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SAFEGUARD


November 12, 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Azulejo, we love you, we love you not (Abstract)
Paulo Ferrero

It is well-known that the azulejo is a distinctive form of art of our culture. In fact, if there is “portuguese architecture”, the azulejo is the best element that characterizes it.

However, what the author see in Lisbon and imagine that the same happens in the rest of the country, sadly comes down to the unprecedented theft and dilapidation of azulejos. The question is: what can be done to counter this heritage hecatomb? The author’s suggestion are: Plans of safeguarding. Regulations. Combat and punish the infractors. Make inventories. Betting on the azulejo as a “cluster”. Reviving the azulejo as a decorative element with other values. Certify companies and specialists. In his words: It’s easy!

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