MEMÓRIAS, FÁBRICAS & MOSTRUÁRIOS

3 de Dezembro de 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

As antigas fábricas produtoras de azulejaria e os seus mostruários
Francisco Queiroz [CEPESE]

Em geral, as fábricas do século XIX que fabricavam azulejos, além de editarem catálogos, possuíam mostruários: uns mais formais, e destinados a facilitar as encomendas, e outros mais informais, projectando a imagem da fábrica e da qualidade dos seus produtos através da decoração dos seus próprios edifícios. E algumas fábricas foram tão assertivas nesta estratégia, que, no início do século XX, referindo-se à Fábrica de Cerâmica das Devesas, Joaquim de Vasconcelos afirmou: as “mil variedades de peças em material refractário de primeira ordem, que estão aplicados nos edifícios da vasta fábrica, nas dependências dela, em numerosas habitações económicas para operários que a rodeiam e até na actual residência do dono, um palacete acastelado de pitoresco aspecto – atestam que não há problema constructivo ou decorativo que a fábrica das Devezas não seja capaz de resolver com o barro”.

Os vários edifícios a que Joaquim de Vasconcelos aludia enfrentaram várias vicissitudes. Uns foram parcialmente alterados ou descontextualizados. Outros, ruíram. Outros ainda, foram parcialmente mutilados ou demolidos por alegadas razões de segurança. Muito se perdeu irremediavelmente ao longo do século XX, em termos de mostruários e de edifícios fabris ligados à história do azulejo português. Porém, paradoxalmente, não é por serem mais raros os exemplos subsistentes, e por maior valor se atribuir hoje à azulejaria de fachada, que a situação actual dos antigos edifícios fabris e seus mostruários tem melhorado. Neste contexto refira-se também o caso da Fábrica de Santo António do Vale da Piedade.

Além do seu valor patrimonial intrinseco, os edifícios das antigas fábricas permitem-nos obter dados fundamentais para a compreensão do azulejo português dos séculos XIX e XX. É necessário salvaguardar, restaurar e conservar os edifícios subsistentes, afectando-os a funções consentâneas com a importância histórica e artística desta antiga fábrica. Mas como fazê-lo? Quais os obstáculos e os desafios? O que pode ainda ser salvo?

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MEMORIES, FACTORIES & SHOWCASES


December 3, 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

The old factories, manufacturers of azulejos, and their showcases
Francisco Queiroz [CEPESE]

In general, the 19th century factories that manufactured azulejos, besides publishing catalogs, also had showcases: some more formal, designed to facilitated the orders, and others, more informal, to project the image of the factory and the quality of their products through the decoration of their own buildings. Some factories were so assertive in this strategy that, in the early 20th century, referring to the Devesas Ceramic Factory, Joaquim de Vasconcelos asserted that the: “mil variedades de peças em material refractário de primeira ordem, que estão aplicados nos edifícios da vasta fábrica, nas dependências dela, em numerosas habitações económicas para operários que a rodeiam e até na actual residência do dono, um palacete acastelado de pitoresco aspecto – atestam que não há problema constructivo ou decorativo que a fábrica das Devezas não seja capaz de resolver com o barro” (“thousand varieties of refractory material pieces, that are applied in the buildings of the vast factory, in its dependencies, in many economic housings for workers that live around it and even in the current residence of the owner, a castellated mansion of picturesque aspect – attest that there is no constructive or decorative problem that the Devesas Factory is not able to resolve with clay”).

The several buildings that Joaquim de Vasconcelos alluded faced many reverses of fortune. Some were partially altered or decontextualized. Others, collapsed. Still others were partially mutilated or demolished for alleged security reasons. Much was irretrievably lost during the 20th century, in terms of showcases and factory buildings linked to the history of portuguese azulejo. However, paradoxically, it’s not because the surviving examples are more rare, hence adding today a greater value to facade azulejos, that the that the current situation of the old factory buildings and their showcases has improved. In this context, it is also worthy of mention the case of the Santo António do Vale da Piedade Factory.

In addition to its intrinsic heritage value, the buildings of the old factories allow us to obtain fundamental data for the comprehension of the 19th and 20th centuries portuguese azulejo. It’s necessary to safeguard, restore and conserve the remaining buildings, allocating them to functions consistent with the historical and artistic importance of this old factories. But how to do it? What are the obstacles and challenges? What can still be saved?

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