O AZULEJO NA CULTURA URBANA

25 de Fevereiro de 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

Convidados:
Inês Leitão [Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões – ARTIS-IHA/FLUL]
Diogo Machado [Add Fuel]

Moderadora:
Sónia Vespeira de Almeida [Centro em Rede de Investigação em Antropologia – FCSH/NOVA]

Inês Leitão
Licenciada em História da Arte pela FLUL (2013) e formada em Design Gráfico pela EPI-ETIC (2009), é investigadora, desde Setembro de 2013, da Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões (ARTIS-IHA/FLUL), onde integra o grupo de trabalho do projecto “Catalogação de padrões da azulejaria portuguesa”. Anteriormente, entre Fevereiro e Julho 2013, tinha já colaborado com este grupo, desenvolvendo um estágio curricular no contexto do qual tratou parte da colecção Cortiço & Netos (azulejos de padrão século XX).
Actualmente prepara a sua dissertação de mestrado em Arte, Património e Teoria do Restauro, na FLUL, dedicada ao tema do azulejo enquanto elemento de arte pública e que prevê a construção do lugar. As suas áreas de investigação relacionam-se com o azulejo contemporâneo e o espaço público.

Diogo Machado (Add Fuel)
Exímio designer gráfico e ilustrador, Add Fuel (1980) tem conquistado em anos recentes uma excelente reputação como artista gráfico e visual. Tendo primeiro criado um singular universo visual povoado por criaturas divertidas de inspiração sci-fi, o artista português redireccionou recentemente a sua atenção para a reinterpretação da linguagem tradicional do azulejo, e em particular aquele de origem portuguesa. Plenos de humor e ironia, os seus desenhos de base vectorial ou intervenções de rua com recurso ao stencil revelam uma impressionante complexidade e uma exemplar atenção ao detalhe. Tem exposto o seu trabalho em exposições individuais e colectivas desde 2006.

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Foto: “JÁ FOI UMA CASA PORTUGUESA”, Add Fuel, Cascais, 2014 [©  Rui Gaiola]

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THE AZULEJO IN URBAN CULTURE

February 25, 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Invited speakers:
Inês Leitão [Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões – ARTIS-IHA/FLUL]

Diogo Machado [Add Fuel]

Moderator:
Sónia Vespeira de Almeida [Centro em Rede de Investigação em Antropologia – FCSH/NOVA]

Inês Leitão
Inês Leitão has a degree in Art History from FLUL (2013) and she graduated in Graphic Design by EPI-ETIC (2009). Since September 2013, she’s a researcher at the Thematic Network on the Study of Tiles and Ceramics João Miguel dos Santos Simões (ARTIS-IHA/FLUL), where she takes part on the project “Cataloguing Portuguese tile patterns”. Previously, between February and July 2013, she already had collaborated with this Network, developing a traineeship in the context of which she worked on part of the Cortiço & Netos collection (20th century pattern azulejos).

Currently she’s preparing her master’s dissertation in Art, Heritage and Restoration at FLUL, dedicated to the azulejo as an element of public art and which predicts the construction of place. Her research areas are contemporary azulejo and the public space.

Diogo Machado (Add Fuel)
Expert graphic designer and illustrator, Add Fuel (1980) has achieved in recent years an excellent reputation as a graphic and visual artist. Having first created a unique visual universe populated by fun creatures of sci-fi inspiration, this portuguese artist has recently redirected his attention to the reinterpretation of the traditional azulejo language and, in particulary, that of portuguese origin. Full of humor and irony, his vector-based drawings or street interventions using the stencil reveal an impressive complexity and exemplary attention to detail. He has been showing his work, both in individual and collective exhibitions, since 2006.

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Foto: “JÁ FOI UMA CASA PORTUGUESA”, Add Fuel, Cascais, 2014 [©  Rui Gaiola]

O AZULEJO NA CULTURA URBANA

25 de Fevereiro de 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

Continuará o azulejo presente na produção artística contemporânea?

A resposta é: Sim! O azulejo permanece no imaginário de alguns artistas, mesmo que pontualmente, e continua a dinamizar a imagem da cidade.

Os revestimentos aplicados nas últimas décadas mostram como o azulejo continua a ser um dos principais protagonistas da regeneração urbana. Veja-se a presença do azulejo em grandes eventos culturais; a sua recorrente aplicação em novos suportes arquitectónicos; a sua utilização como obra de arte autónoma; e como referente para a criação artística actual.

Nesta sessão do AzLab pretende-se discutir a abordagem de alguns artistas contemporâneos ao azulejo através da intervenção de Inês Leitão que, de um ponto de vista teórico, irá apresentar o azulejo enquanto elemento de arte pública que prevê a construção do lugar. Diogo Machado/Add Fuel falará do azulejo na primeira pessoa, mostrando o seu trabalho que consiste na reinterpretação da tradição azulejar, fazendo uma ponte entre o antigo e o novo (http://www.addfuel.com).

Convidados:
Inês Leitão [Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões – ARTIS-IHA/FLUL]
Diogo Machado [Add Fuel]

Moderadora:
Sónia Vespeira de Almeida [CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia – FCSH/NOVA]

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Foto: “JÁ FOI UMA CASA PORTUGUESA”, Add Fuel, Cascais, 2014 [©  Rui Gaiola]

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THE AZULEJO IN URBAN CULTURE

February 25, 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Is the azulejo still present in contemporary art?

The answer is: Yes! The azulejo remains in the minds of some artists and continues to boost the city’s image.

The coatings applied in recent decades show the azulejo as an important factor in the urban regeneration. One can see the presence of the azulejo in major cultural events; its recurring application in new architectural supports; its use as an independent work of art; and as a referent to the current artistic creation.

In this AzLab session the aim is to discuss the approach of some contemporary artists to azulejo. From a theoretical point of view, Inês Leitão will present the azulejo used on public art, exploring its role in the construction of place. Diogo Machado/Add Fuel will speak of the azulejo in the first person, by showing his work which consists in the reinterpretation of the azulejo tradition, building a bridge between the old and the new (http://www.addfuel.com).

Invited speakers:
Inês Leitão [Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões – ARTIS-IHA/FLUL]

Diogo Machado [Add Fuel]

Moderator:
Sónia Vespeira de Almeida [CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia – FCSH/NOVA]

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Photo: “JÁ FOI UMA CASA PORTUGUESA”, Add Fuel, Cascais, 2014 [©  Rui Gaiola]

Nesta primeira sessão de 2015 o AzLab teve como orador João Manuel Mimoso, que apresentou uma comunicação sobre a Fábrica Roseira, de Lisboa. Em formato especial, explicado no início da sessão, o AzLab#10 comemorava também um ano de existência, razão pela qual foi distribuído um “quantos-queres” de padrões de azulejos (ver fotos).
João Manuel Mimoso começou por contextualizar o tema, destacando os principais acontecimentos ocorridos em Portugal durante o século XIX, com referências à indústria cerâmica de Lisboa e às alterações então introduzidas, quer a nível técnico quer ao nível do azulejamento das fachadas urbanas, chamando a atenção para a existência de fachadas azulejadas anteriores mas no contexto de jardins. Com base na documentação recolhida, situou as primeiras fachadas revestidas a azulejo na segunda metade da década de 1830, mostrando vários exemplos com padrões anteriores, incluindo de reaplicação, e outros já com padrões novos produzidos por estampilhagem a partir da década de 1840, destacando ainda um conjunto de pormenores caracterizadores destes exemplos iniciais.
Citando como fontes bibliográficas trabalhos da Profª Luísa Arruda e da Drª Ana Margarida Portela Domingues, centrou depois a apresentação na Fábrica Roseira, que tem vindo a estudar com uma equipa de colegas, a partir dos padrões aplicados nos edifícios pertencentes à família Roseira. Um dos interesses particulares desta fábrica resulta da menção de Charles Lepierre, segundo o qual era, dentre as fábricas activas em finais do século XIX, a mais antiga na fabricação de azulejos.
A identificação destes azulejos permite constituir um catálogo-base dos primeiros padrões produzidos, a partir do qual identifica vários revestimentos, em Lisboa mas também noutras cidades do país e no Brasil. Trata-se de padrões em azuis sobre a faiança branca, muitas vezes inspirados nos padrões clássicos da azulejaria portuguesa, o que pode ter contribuído para a sua aceitação.
Seguiu-se um período de debate, muito participativo, iniciado com uma pergunta deixada no blogue (veja aqui uma síntese da resposta). Referiram-se os mostruários da fábrica, que actualmente se encontram no Museu Nacional do Azulejo, mas que representam uma fase tardia da Fábrica Roseira, bem como os estudos materiais associados à produção das chacotas e vidrados, questionando-se ainda a produção de azulejos figurativos e ornamentais.

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The first AzLab session of 2015 had as guest João Manuel Mimoso who talk about the Roseira Factory, in Lisbon. In a special format, explained earlier in the session, the AzLab#10 also celebrated one year of existence, reason why it was given a “cootie catcher” of pattern azulejos (see photos).
João Manuel Mimoso began by contextualize the theme, highlighting the main events that occurred in Portugal during the 19th century, including references to Lisbon’s ceramic industry. In this context, he referred to the changes then introduced either on a technical level and in relation to the tiling of urban facades, drawing attention to the existence of previous tiled façades but in the gardens. Based on documents he gathered, João Mimoso placed the first façades covered with azulejo in the second half of the 1830s, showing various examples with earlier patterns, including reapplications, and others with new patterns produced with the transfer-print technique from the 1840s, emphasizing also a set of characterizing details of these early examples.
Quoting as bibliographic sources the works of Professor Luísa Arruda and Ana Margarida Portela Domingues, João Mimoso focused, later on, his presentation on the Roseira Factory, which he has been studying with a team of colleagues based on the patterns applied in the buildings belonging to the Roseira family. One of the particular interests of this factory comes from the mention of Charles Lepierre, according to whom, it was, among the active factories in the late 19th century, the oldest in the manufacture of azulejos.
The identification of these azulejos enables the constitution of a catalog of the first patterns produced, from which João Mimoso identifies various coatings in Lisbon but also in other cities of our country and in Brazil. They are patterns in blue on white faience, often inspired in the classical patterns from Portuguese Azulejos, which may have contributed to its acceptance.
This presentation was followed by a debate, with a high participation, which began with the question left on the blog (see here a prompt synthesis). There was references to the factory showcases, which are now at the National Museum of Azulejo (representatives of a late production phase of the Roseira Factory), as well as the materials studies associated with the azulejo production, questioning still the production of figurative and ornamental azulejos.