Nesta primeira sessão de 2015 o AzLab teve como orador João Manuel Mimoso, que apresentou uma comunicação sobre a Fábrica Roseira, de Lisboa. Em formato especial, explicado no início da sessão, o AzLab#10 comemorava também um ano de existência, razão pela qual foi distribuído um “quantos-queres” de padrões de azulejos (ver fotos).
João Manuel Mimoso começou por contextualizar o tema, destacando os principais acontecimentos ocorridos em Portugal durante o século XIX, com referências à indústria cerâmica de Lisboa e às alterações então introduzidas, quer a nível técnico quer ao nível do azulejamento das fachadas urbanas, chamando a atenção para a existência de fachadas azulejadas anteriores mas no contexto de jardins. Com base na documentação recolhida, situou as primeiras fachadas revestidas a azulejo na segunda metade da década de 1830, mostrando vários exemplos com padrões anteriores, incluindo de reaplicação, e outros já com padrões novos produzidos por estampilhagem a partir da década de 1840, destacando ainda um conjunto de pormenores caracterizadores destes exemplos iniciais.
Citando como fontes bibliográficas trabalhos da Profª Luísa Arruda e da Drª Ana Margarida Portela Domingues, centrou depois a apresentação na Fábrica Roseira, que tem vindo a estudar com uma equipa de colegas, a partir dos padrões aplicados nos edifícios pertencentes à família Roseira. Um dos interesses particulares desta fábrica resulta da menção de Charles Lepierre, segundo o qual era, dentre as fábricas activas em finais do século XIX, a mais antiga na fabricação de azulejos.
A identificação destes azulejos permite constituir um catálogo-base dos primeiros padrões produzidos, a partir do qual identifica vários revestimentos, em Lisboa mas também noutras cidades do país e no Brasil. Trata-se de padrões em azuis sobre a faiança branca, muitas vezes inspirados nos padrões clássicos da azulejaria portuguesa, o que pode ter contribuído para a sua aceitação.
Seguiu-se um período de debate, muito participativo, iniciado com uma pergunta deixada no blogue (veja aqui uma síntese da resposta). Referiram-se os mostruários da fábrica, que actualmente se encontram no Museu Nacional do Azulejo, mas que representam uma fase tardia da Fábrica Roseira, bem como os estudos materiais associados à produção das chacotas e vidrados, questionando-se ainda a produção de azulejos figurativos e ornamentais.

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The first AzLab session of 2015 had as guest João Manuel Mimoso who talk about the Roseira Factory, in Lisbon. In a special format, explained earlier in the session, the AzLab#10 also celebrated one year of existence, reason why it was given a “cootie catcher” of pattern azulejos (see photos).
João Manuel Mimoso began by contextualize the theme, highlighting the main events that occurred in Portugal during the 19th century, including references to Lisbon’s ceramic industry. In this context, he referred to the changes then introduced either on a technical level and in relation to the tiling of urban facades, drawing attention to the existence of previous tiled façades but in the gardens. Based on documents he gathered, João Mimoso placed the first façades covered with azulejo in the second half of the 1830s, showing various examples with earlier patterns, including reapplications, and others with new patterns produced with the transfer-print technique from the 1840s, emphasizing also a set of characterizing details of these early examples.
Quoting as bibliographic sources the works of Professor Luísa Arruda and Ana Margarida Portela Domingues, João Mimoso focused, later on, his presentation on the Roseira Factory, which he has been studying with a team of colleagues based on the patterns applied in the buildings belonging to the Roseira family. One of the particular interests of this factory comes from the mention of Charles Lepierre, according to whom, it was, among the active factories in the late 19th century, the oldest in the manufacture of azulejos.
The identification of these azulejos enables the constitution of a catalog of the first patterns produced, from which João Mimoso identifies various coatings in Lisbon but also in other cities of our country and in Brazil. They are patterns in blue on white faience, often inspired in the classical patterns from Portuguese Azulejos, which may have contributed to its acceptance.
This presentation was followed by a debate, with a high participation, which began with the question left on the blog (see here a prompt synthesis). There was references to the factory showcases, which are now at the National Museum of Azulejo (representatives of a late production phase of the Roseira Factory), as well as the materials studies associated with the azulejo production, questioning still the production of figurative and ornamental azulejos.

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