O AZULEJO NA CULTURA URBANA

25 de Fevereiro de 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

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Azulejo & Arte Pública
Embora o azulejo seja entendido, desde a década de 1950, como elemento de arte pública, só no início de 1970 é que começou a ser trabalhado com o intuito de contribuir para o melhoramento urbano. Tal relaciona-se com a nova abordagem ao espaço por parte de alguns teóricos, nomeadamente Michel Foucault e Henri Lefebvre que, nos finais da década de 1960, defendiam que «o espaço é socialmente produzido» através das vivências quotidianas dos cidadãos (Lefebvre 1991, 26-33). Este debate em torno do espaço, e consequentemente do lugar, influenciou a maneira como os artistas trabalhavam e entendiam a arte pública. Ou seja, como uma proposta que envolve a comunidade.

Em Portugal, e no que diz respeito ao azulejo, o início desta perspectiva acontece com o projecto de João Abel Manta (1928) para o muro de suporte de terras (1970-1982), na Avenida Calouste Gulbenkian (Lisboa). Tendo em conta as características e dinâmicas do espaço envolvente, localizado junto de uma via rápida, o artista propõe um revestimento cerâmico para ser percepcionado em movimento, através de um jogo rítmico entre formas e cores, que se diluem com a paisagem.

Desde então, o azulejo tem sido um dos intervenientes da cultura urbana, manifestando-se principalmente nos «novos espaços públicos» (Cresswell 2006, 21-22). Estes são locais de circulação (auto-estradas, estações de transportes públicos, pontes, viadutos, entre outros), que derivam das mobilidades urbanas recentes (os automóveis e os transportes rodoviários, fluviais e aéreos).

Na próxima sessão do AzLab serão abordados alguns exemplos que mostram de que forma as mais recentes obras em azulejo têm tido em consideração o contexto social e cultural da comunidade que convive com a obra, no seu dia-a-dia, de maneira a construir o lugar, ou seja, a transformar o espaço num sítio de pertença da comunidade.

Inês Leitão | Investigadora da Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões – ARTIS-IHA/FLUL |
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Referências bibliográficas:
Cresswell, Tim. 2006. On the move: mobility in the modern Western world. Londres e Nova Iorque: Routledge.
Lefebvre, Henri. 1974. La Prodution de l’ Espace. [s.l.]. Tradução de Donald Nicholon-Smith. 1991. The Production of Space. Oxford: Blackweel Publishing.

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THE AZULEJO IN URBAN CULTURE


February 25, 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Azulejo & Public Art
Although the azulejo has been understood since the 1950s, as a public art element, only in the early 1970s it began to be worked in order to contribute to the urban lanscape. This fact relates to the new approach to space by some theorists, namely Michel Foucault and Henri Lefebvre who, in the late 1960s, argued that “the space is socially produced” through the everyday experiences of the citizens (Lefebvre 1991 26-33). This debate around the space, and consequently the place, influenced the way artists worked and understood public art. That is, as a proposal that involves the community.

In Portugal, in what concerns azulejo, this perspective starts with the project of João Abel Manta (1928) for the earth retaining wall (1970-1982), at Avenida Calouste Gulbenkian (Lisbon). Taking into account the characteristics and dynamics of the surrounding area, located near a highway, the artist proposes a ceramic covering to be perceived in motion, through a rhythmic game between forms and colors, which are diluted with the landscape.

Since then, the azulejo has been one of the intervention elements of urban culture, manifesting itself mainly on the ‘new public spaces’ (Cresswell 2006, 21-22). These are circulation places (motorways, public transport stations, bridges, viaducts, etc.), which are derived from recent urban mobility (cars, public transport, ferryboats and air transport).

At the forthcoming AzLab session it will be presented some examples that show how the most recent works on azulejo have taken into account the social and cultural context of the community in its daily life, in order to transform the space into a belonging place for the community.

Inês Leitão | Investigadora da Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões – ARTIS-IHA/FLUL |
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Bibliographical references:
Cresswell, Tim. 2006. On the move: mobility in the modern Western world. Londres e Nova Iorque: Routledge.
Lefebvre, Henri. 1974. La Prodution de l’ Espace. [s.l.]. Translation: Donald Nicholon-Smith. 1991. The Production of Space. Oxford: Blackweel Publishing.

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