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O AzLab#13, intitulado Dois pintores: Pereira Cão & Jorge Colaço, teve como convidados Miguel Montez Leal e Cláudia Emanuel, tendo contado com a moderação de Ana Almeida. Cumprindo o objectivo de traçar um breve percurso biográfico sobre os dois artistas mencionados, Miguel Montez Leal começou por abordar a figura de Pereira Cão, cujo nome era, na verdade,  José Maria Pereira Júnior (1841-1921). Tendo por base o seu espólio familiar, Miguel Montez Leal apresentou documentos e um conjunto de fotografias que ilustram a vida do pintor, as suas obras (em particular estudos preparatórios aguarelados) e a relação que manteve com outros artistas seus contemporâneos, caso de Columbano Bordalo Pinheiro. Após uma breve síntese sobre o pintor e a obra, que incluía a pintura a fresco, a cenografia ou a pintura de cavalete, foram referidos alguns dos seus principais trabalhos em azulejo. O investigador começou por destacar os painéis da Igreja da Madre de Deus, realizados em 1886, o primeiro trabalho em azulejo de Pereira Cão, referindo-se depois ao revestimento do pátio do Palácio da Rosa, em Lisboa, parte do qual foi roubado em 2001, à intervenção realizada no Canal dos jardins do Palácio de Queluz, em parceria com Caetano Alberto Nunes, à fonte da Casa de Santar e a um dos seus últimos trabalho, os azulejos dos jardins do Palácio de Estói.

Por sua vez, Cláudia Emanuel apresentou algumas das conclusões da sua tese de doutoramento, que está a finalizar, sobre a obra de Jorge Colaço, destacando o elevado número de revestimentos em azulejo que o pintor realizou e que a investigadora identificou, assim como as questões técnicas da produção cerâmica, que tanto caracterizam a obra deste pintor. Após uma introdução sumária sobre a vida de Jorge Colaço e as diversas facetas da sua actividade, Cláudia Emanuel abordou a obra cerâmica do pintor, cujas primeiras experiências de pintura em azulejo situa em 1902-1903, ligadas (também por razões familiares) à Fábrica de Sacavém. Referiu-se à forma de trabalho do pintor, com desenhos preparatórios aguarelados sobre os quais era depois traçada uma quadrícula, às múltiplas técnicas empregues assim como à diversidade temática unida, todavia, pelo tema maior da portugalidade. A investigadora terminou referindo-se ao bom estado de conservação que, na generalidade, caracteriza hoje a obra de Colaço, apresentando, todavia, um conjunto de situações de remoção de painéis, de revestimentos escondidos atrás de pladur, e de ruína que, impedem o conhecimento das obras e a sua extensão no tempo.

Seguiu-se um animado período de debate, com as questões técnicas a suscitar muitas dúvidas, em particular as relacionadas com a pintura sobre o vidrado e a chamada terceira cozedura, ou a superfície texturada dos azulejos. Os arquivos (e a dispersão familiar dos mesmos), a sua conservação e disponibilização ao público estiveram também em destaque. A pergunta sobre a menor atenção que a obra de ambos os pintores tem merecido por parte da historiografia tem vindo, segundo Miguel Leal a encontrar justificação nas opções revivalistas, estéticas e temáticas destes pintores, sendo que as inovações de Jorge Colaço assentam numa utilização do azulejo mais próxima da pintura a cavalete.

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The AzLab#13, Two Painters: Pereira Cão e Jorge Colaço, had as guests Miguel Montez Leal and Cláudia Emanuel, and was moderated by  Ana Almeida. Fulfilling the objective of tracing a brief biographical path of the two artists, Miguel Montez Leal started by approaching the figure of Pereira Cão, whose name was actually José Maria Pereira Júnior (1841-1921). Based on his family collection, Miguel Montez Leal presented documents and a set of photographs illustrating the life of the painter, his works (in particular watercolour preparatory studies) and the relationship he had with other artists, his contemporaries, such as Columbano Bordalo Pinheiro. After a brief overview of the artist and his work, which included the fresco, scenography or easel painting, there was reference to some of his azulejo major works. The researcher began by highlighting the panels of the Madre de Deus church, made in 1886, Pereira Cão’s first work in azulejo, mentioning next the covering of the Rosa Palace courtyard, in Lisbon, part of which was stolen in 2001. In this context, there was also references to the intervention held at the Canal of the Queluz Palace gardens, which Pereira Cão did in collaboration with Caetano Alberto Nunes, to the work done in the House of Santar fountain, and to one of the artist last works: the azulejos of the Estói Palace gardens.

In turn, Cláudia Emanuel presented some of the conclusions of her doctoral thesis, which she’s currently concluding, on the work of Jorge Colaço, highlighting the high number of azulejo coverings which the painter made and that the researcher identified, as well as the technical questions of the ceramic production that characterize the work of this painter. After a brief introduction about Jorge Colaço’s life and the various aspects of his activity, Cláudia Emanuel presented the painter’s ceramic work, situating the artist’s first painting experiences in azulejo in 1902-1903, connected to (also for family reasons) the Sacavém Factory. She also mentioned the painter’s way of working with watercolour preparatory drawings on top of which was later traced a grid, the multiple techniques employed as well as the thematic diversity united, however, by the major theme of Portugal’s history. The researcher ended with references to the good condition that overall, characterizes today the work of Colaço, presenting, nevertheless, a set of situations where there was a panels removal, of coverings hidden behind plasterboard, and of ruin that, prevents a deeper knowledge of the works and its extension in time.

This was followed by a lively period of debate, with the technical questions raising many doubts, in particular those related to painting on glaze, the third firing and the azulejos textured surface. The archives (and the dispersion of the same inside the families), its conservation and availability to the public were also highlighted. According to Miguel Leal and concerning the less attention given by the historiography to the work of both artists, this finds its justification in the revivalists, aesthetic and thematic choices of these painters, wherein the innovations of Jorge Colaço are based on the use of the azulejo closest to the easel painting.

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