O AzLab#17 intitulado Sobre carris. Os azulejos nas estações teve como convidados Tiago Borges Lourenço e Ana Almeida e contou com a moderação de Rosário Salema de Carvalho. Respeitando a cronologia dos azulejos em análise, a apresentação de Tiago Borges Lourenço  com o título “Postais Azulejados: Decoração Azulejar Figurativa das Estações Ferroviárias Portuguesas”  começou por definir cinco importantes fases de aplicação de azulejos nestes equipamentos, no decorrer da primeira metade do século XX.

O investigador explicou depois que, até à década de 1920, as intervenções resultaram de encomendas das Companhias Ferroviárias mas, a partir de então, muitas obras tiveram origem na iniciativa local. A investigação realizada no âmbito da sua tese de mestrado permitiu também definir os principais centros artísticos, os  temas iconográficos mais significativos e destacar algumas diferenças no tratamento das molduras em azulejo presentes nas estações ferroviárias estudadas.

Seguiu-se a intervenção de Ana Almeida intitulada “Metropolitano de Lisboa. Trânsitos do olhar”. Mais do que uma enumeração de estações e dos seus revestimentos azulejares, a intervenção de Ana Almeida focou-se nas intervenções artísticas como pretexto para uma viagem do olhar através da citação/apropriação ou evocação (mais ou menos óbvias) da história da arte, e da azulejaria em particular, do percurso dos artistas, da cidade e do mundo, fazendo cruzamentos simultâneos entre o espaço e o tempo, tendo as estações de metro como leitmotiv.

Para apresentar este novo meio de transporte de Lisboa, foi visionado um excerto do filme “Metropolitano”, produzido pela Tobis no ano de 1959, onde se apresenta, de forma didáctica, o  Metropolitano e o seu modo de funcionamento. Também é possível ver  algumas das estações na sua configuração arquitectónica original, com os revestimentos de Maria Keil e o mobiliário concebido pelo arquitecto Keil do Amaral, responsável pelo projecto da estação-tipo. O filme, que é hoje  um documento histórico, pode ser visto no youtube.

Durante o período de debate, Ana Almeida respondeu a perguntas sobre os critérios para as intervenções em azulejos das primeiras onze estações de metro e sobre a valorização do trabalho de Maria Keil. Por sua vez, Tiago Borges Lourenço foi questionado sobre o porquê de aplicação de azulejo de padrão ou figurativo em determinadas estações e quais os critérios para as escolhas iconográficas e dos artistas. A questão da arte pública e da construção do lugar foi outro dos temas em debate, estabelecendo-se um paralelo entre o subterrâneo que simula a superfície, no caso do Metropolitano, e os azulejos com representações de monumentos, nas estações ferroviárias. Os dois convidados tiveram ainda oportunidade de falar sobre  importância as intervenções artísticas das estações ferroviárias e do Metropolitano relativamente a outros transportes, como os rodoviários, que parecem ter privilegiado um cariz mais funcional. A citação e apropriação de temas e técnicas por parte dos artistas, em relação à história do azulejo, foi o último assunto abordado nesta sessão.

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The AzLab#17 entitled On rails. The azulejo in the stations had as guests Tiago Borges Lourenço and Ana Almeida and was moderated by Rosário Salema de Carvalho. Respecting the chronology of the azulejos under analysis, the presentation of Tiago Borges Lourenço entitled “Tiled Postcards: the figurative azulejo decoration of the portuguese railway stations” started with the definition of five major stages of the azulejo coverings in these stations, during the first half of the 20th century.

The researcher explained that until the 1920’s the interventions resulted from orders of the Railway Companies but, since then, the commission of many works was due to local initiative. The research that Tiago Borges Lourenço undertook under his master’s thesis allowed him to define the major artistic centers, the more significant iconographic themes and to highlight some of the diferences in the treatment of the azulejo frames present in the studied railway stations.

This was followed by the intervention of Ana Almeida entitled “Lisbon Underground. Transits of the view”. More than a list of stations and their azulejo coverings, Ana Almeida focused on the artistic interventions as a pretext for a journey through the citation / appropriation or evocation (more or less obvious) of the history of art. Highlightening the azulejo Ana Almeida talked about the artists, the city and the world, making simultaneous crossings between space and time, having the Underground stations as leitmotiv.

To present this new Lisbon’s transport, it was envisioned an excerpt from the film “Metropolitano”, produced by Tobis in the year 1959. The film’s intention was to explain, in a didactic way, the Underground and its mode of operation. We also can see some of the stations in its original architectural layout, with the azulejo coverings of Maria Keil and the furniture designed by Francisco Keil do Amaral, the architect responsible for the station-type project. The film, which is today a historical document, can be seen on youtube.

During the debate, Ana Almeida answered questions about the criteria for the azulejo interventions of the first eleven Underground stations and on the appreciation of Maria Keil’s work. In turn, Tiago Borges Lourenço was asked about why the application of pattern or figurative azulejos in certain stations and the criteria for choosing the iconographic themes and its artists. The question about public art and the construction of the place was another issue under discussion, establishing a parallel between the subterranean that simulates the surface, in the case of the Underground, and the azulejos depicting monuments in the railway stations. The two guests had yet the opportunity to talk about the importance of the artistic interventions of the railway and Underground stations in relation to other means of transport such as the road transport network, who seem to have favored a more functional nature. The citation and appropriation of themes and techniques by the artists, in relation to the history of the azulejo, was the last issue addressed in this session.

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