Flor Peregrina: São Benedito e o Brasil Colonial

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9 de Dezembro de 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 2.1

Na sua obra Azulejaria Portuguesa no Brasil (1500-1822), publicada em 1965, João Miguel dos Santos Simões referia-se da seguinte forma ao Convento de Santo António de Serinhaém: “Ao sul do Estado de Pernambuco, não longe da fronteira com Alagoas, está a pequena vila de Sirinhaém, junto da foz do rio do mesmo nome. No centro de uma região açucareira, a Vila Formosa de Sirinhaém – como então se chamava – agrupou-se ao redor do convento que os franciscanos de Santo António de Portugal ali fundaram em 1630, e que hoje serve de Noviciado da Província.

Não obedecendo rigorosamente à ordenação arquitectónica destas fundações, os edifícios conventuais ocupam o topo de uma colina e constituem um bom exemplo das pequenas construções capuchas. A igreja, de nave e capela-mor, é relativamente vasta e, após os trabalhos de beneficiação realizados pela D.P.H.A.N. encontra-se num estado impecável de conservação e asseio”.

O autor descreve, depois, os azulejos encomendados a uma oficina de Lisboa cerca de 1745, começando pelos silhares que revestem lateralmente as paredes da nave. Superiormente recortados, simulam estruturas arquitectónicas com concheados nas molduras e representam cenas da vida de São Francisco de Assis complementadas com cartelas onde se exibem símbolos franciscanos. Por sua vez, a capela-mor continua o programa da nave, mas Santos Simões chama a atenção para a representação da Estigmatização de São Francisco, pouco habitual em relação à sua iconografia tradicional, citando Mário Barata (1951) e a identificação da fonte gravada – a obra D. Seraphici Francisci totius evangelicie perfectionis exemplaris admiranda historia. Junto ao arco existem azulejos com temática eucarística.

Por fim, refere-se ao ciclo iconográfico da capela de São Benedito, que será o tema do AzLab#18 especial: “Junto à portaria está a capela instalada numa quadra simples, apenas notabilizada pelo revestimento de azulejos. Trata-se de um silhar de 19 azulejos, incluindo 2 de rodapé de fundo marmoreado azul, com ornatos manganés. O silhar é constituído por painéis historiados, de pintura azul, enquadrados, como na igreja, por ornatos concheados que se sobrepõem a elementos arquitectónicos. Em cada um dos 5 painéis actualmente existentes representa-se uma cena da vida de S. Benedito, identificada por legenda na cartela da barra inferior”.

Infelizmente o estado de conservação é hoje bem diferente do que o testemunhado por Santos Simões:
http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/09/obra-e-abandonada-e-convento-de-1630-em-pe-esta-fechado-ha-4-anos.html

http://m.jc.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2015/09/09/ministerio-publico-federal-investiga-obra-abandonada-em-convento-franciscano-198100.php

Referências bibliográfica:
– BARATA, Mário – Diário de Pernambuco. 14 de Novembro de 1951.
SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria portuguesa no Brasil: 1500-1822
. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1965, pp. 259-261.

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Pilgrim Flower: Saint Benedict and Colonial Brazil


December 9,
 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 2.1

João Miguel dos Santos Simões, in his work entitled Azulejaria Portuguesa no Brasil (1500-1822), published in 1965, refers the convent of St. Anthony of Serinhaém. Not being far from the border of Alagoas, in the State of Pernambuco, the convent of franciscans friars of St. Anthony of Portugal was founded in 1630. At the time Santos Simões wrote, the building was the Province’s Novitiate and was really well preserved.

The researcher continues with a description of the azulejos ordered in Lisbon circa 1745, representing the life of St. Francis of Assisi in the church’s nave and main chapel. He highlighted  the representation of the Stigmatization of St. Francis, unusual in relation to his traditional iconography, refering  to its engraving source – the D. Seraphici Francisci totius evangelicie perfectionis exemplaris admiranda historia. Near the arch there are azulejos with Eucharistic theme.

Finally the author mentions the iconographic cycle of St. Benedict’s chapel, which will be the theme of the AzLab#18 special. He wrote that near the entrance hall, there is a chapel with tiled walls of 19 azulejos in height, in blue and white painting, framed, like in the church, by shell ornaments overlapping the architectural elements. In each of the five existing panels there is a representation of the life of St. Benedict, identified by the captation in the lower frame cartouche.  

Unfortunately its state of conservation is very different today than the one witnessed by Santos Simões:
http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/09/obra-e-abandonada-e-convento-de-1630-em-pe-esta-fechado-ha-4-anos.html

http://m.jc.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2015/09/09/ministerio-publico-federal-investiga-obra-abandonada-em-convento-franciscano-198100.php

Bibliographical references:
– BARATA, Mário – Diário de Pernambuco. 14 de Novembro de 1951.
SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria portuguesa no Brasil: 1500-1822
. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1965, pp. 259-261.

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