A identificação de uma arte. O uso do azulejo em Portugal


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20 de Janeiro de 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 2.1

Marluci Menezes, uma das convidadas do AzLab#19, escreveu recentemente um artigo sobre os significados sociais do património azulejar, e que nos ajuda a reflectir sobre algumas das questões que vão ser abordadas durante a sessão. Na impossibilidade de publicar o texto, reproduzimos o resumo do mesmo:

“Esta reflexão enquadra-se num interesse mais vasto pelo estudo dos processos sociais de valorização do património cultural. Partindo do conhecimento do modo como estes valores são constituídos e representados, este propósito mais ambicioso orienta-se no sentido de identificar como os significados sociais e simbólicos relacionados com o património cultural podem, de modo dinâmico, interativo e negociado, colaborar com as políticas de salvaguarda e práticas de conservação. Como enquadramento geral, pressupõe-se que o processo de invenção do património é uma prática social, simultaneamente aludindo-se que o são igualmente a sua salvaguarda e conservação, o que exige envolvimento social entre outros tipos de empenhamento. Ora, o património azulejar não foge a este enquadramento de partida. Pelo que, nesta reflexão cujos objetivos são mais modestos, ilustram-se alguns dos preâmbulos que suscitaram o interesse em iniciar um percurso de investigação dos significados sociais associados ao azulejo integrado na arquitetura. O foco de reflexão é o contexto português, onde supostamente é consentâneo referir que o azulejo é um elemento secular da cultura material: ocupa com especial relevância a paisagem cultural do país e apresenta-se como um marcador identitário; com lugar cativo num museu nacional, a matéria azulejar é abarcada pelos conteúdos que definem a categoria património, vindo também a protagonizar uma determinada linha de internacionalização do país. A significante exaltação da expressão da matéria azulejar repercute-se em diversos e diferentes contextos, discursos e representações. Valores de uso, função, artísticos, decorativos e estéticos, históricos, técnicos e científicos sustentam a secular cultura azulejar, potencialmente definindo uma singularidade cultural que é plural na diversidade através da qual se revelam, aos olhos do observador mais atento, estilos, temas, texturas, materiais, técnicas, cores e padrões. Todavia, o gosto secular pelo azulejo parece também revelar uma relação ambígua das pessoas e comunidades com a matéria azulejar, havendo uma relação de afeto e desafeto, onde tanto é refletido o enaltecimento no uso do azulejo como a sua trivialização, devido ao hábito de usar e ver azulejos.

O que a apreciável demonstração de gosto pelo azulejo, e as manifestações de descuido, desinteresse, vandalização e substituição explicam sobre a relação entre a sociedade e património? Este primeiro estranhamento da relação das pessoas e das comunidades com o azulejo, constitui um preâmbulo iniciático de uma antropóloga para aprender o universo social que abarca a cultura azulejar. Pelo que, nesta reflexão questiona-se sobre o potencial interesse em alargar o âmbito de entendimento do património azulejar também ao seu significado social“.

Referência Bibliográfica:
MENEZES, Marluci – “Azulejo, cultura, memória e sociedade: para um estudo dos significados sociais do património azulejar.” GlazeArch2015 – International Conference Glazed Ceramics in Architectural Heritage. Lisbon: LNEC. 2015. pp. 338-346.

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Foto: © Artur Lourenço via Diário de Lisboa (http://mapasepapas.blogspot.pt/2015/03/16032015-quadrados-com-historia-que.html​)

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THE IDENTIFICATION OF AN ART. THE USE OF THE AZULEJO IN PORTUGAL


January 20, 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 2.1

Marluci Menezes, one of the guests of the AzLab#19, recently wrote an article on the social meanings of azulejo heritage, which helps us reflect on some of the issues that will be addressed during the session. In the impossibility of publishing the whole text, we reproduce its summary:

“This reflection is part of a wider interest in the study of the social processes of development of cultural heritage. Based on the knowledge of how these values are formed and represented, this more ambitious purpose is oriented towards the identification of how social and symbolic meanings related to cultural heritage can, in a dynamic, interactive and negotiated way, collaborate with protection and conservation practices. As a general framework, it is assumed that the process of heritage invention is a social practice, simultaneously mentioning that so are also are the preservation and conservation, which require social involvement and other types of commitment. In fact the tile heritage is no exception to this starting frame. Therefore, this reflection whose goals are more modest, illustrates some of the preambles leading to the interest in starting a research on the social meanings associated with the azulejo (ceramic tile) integrated in architecture. The focus of the reflection is the Portuguese context, where it is supposedly consistent to refer that the azulejo is a secular element of material culture: present with special relevance in the country’s cultural landscape and presenting itself as an identity marker; with a permanent place in a national museum, the tile material comprises the contents that define the heritage category, protagonist in the internationalization of the country. The significant exaltation of the expression of tile matter is echoed in several different contexts, discourses and representations. Values of use, function, artistic, decorative and aesthetic, historical, technical and scientific, support the secular tile culture, potentially setting a cultural uniqueness that is plural in diversity through which styles, themes, textures, materials, techniques, colours and patterns are revealed to the eyes of careful observers. However, the secular taste for azulejo also seems to reveal an ambiguous relationship of people and communities with the tile as a material, recognized in the relationship of simultaneous affection and disaffection, reflecting the enhancement in the use of tiles and its trivialization, due to the habit of using and seeing them.

What do the appreciable demonstration of enjoyment for the tile, and the manifestations of carelessness, disinterest, vandalization and substitution explain about the relationship between society and heritage? This first perplexity of the relationship of people and communities with the azulejo is the initiatic preamble of an anthropologist to learn about the social universe that covers the culture of the ceramic tile. Therefore, this reflection raises questions about the potential interest of broadening the scope of comprehending azulejo heritage also to its social meaning” [author’s translation].


Bibliographical reference:
MENEZES, Marluci – “Azulejo, cultura, memória e sociedade: para um estudo dos significados sociais do património azulejar.” GlazeArch2015 – International Conference Glazed Ceramics in Architectural Heritage. Lisbon: LNEC. 2015. pp. 338-346.

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Photo: © Artur Lourenço via Diário de Lisboa (http://mapasepapas.blogspot.pt/2015/03/16032015-quadrados-com-historia-que.html​)

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