A FOTOGRAFIA NA CONSTRUÇÃO DE UMA “REALIDADE” EM AZULEJO

12 de Outubro de 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 2.13

— Please scroll down for English version — ]

Resumo

A partir dos finais do século XIX, os azulejos em azul e branco regressam às paredes das casas particulares e dos edificios públicos. A sua difusão pelo país inteiro confere-lhes um simbolismo identitário que será utilizado por diferentes ideologias.

A origem iconográfica de muitas das suas imagens encontra-se em produções ligadas ao progresso técnico das artes gráficas do século XX e, como muitas destas imagens, também os painéis tiveram uma componente de propaganda de ideias ou lugares devido à intervenção das instituições ligadas à administração local, algumas das quais vinculadas ao turismo. Trata-se de um fenómeno também produzido pela modernidade, que recorre à propaganda de maneira clara.

As imagens de gente do “povo” são herdeiras de um romantismo antigo, que se encontra igualmente na valorização de outros motivos presentes nos painéis de azulejo, caso dos monumentos, enquanto reflexo de um passado mitificado. Este romantismo é, ao mesmo tempo, produto da modernidade e negação da mesma.

A selecção de conteúdos obtidos principalmente a partir da fotografia, de livros, revistas e bilhetes postais, convida à reflexão sobre a componente de verdade ou realismo (no sentido de reflectir a realidade) que aí se mostra. O dilema está em perceber se essa realidade é efectivamente mostrada, ou, pelo contrário, criada com um determinado objectivo. Para este fim, e para além dos mecanismos resultantes da própria execução dos painéis de azulejos, os contextos e as adaptações impostas a estas fontes gráficas (mantendo ou eliminando determinadas pessoas, por exemplo) permitem avaliar o processo de construção da imagem. Assim,  enquanto está a ser apresentado, o país está também a ser construído, como fica bem expresso na representação parcial dos conteúdos iconográficos, embora tudo seja feito de modo a mostrar a “realidade”.

José Luis Mingote Calderón

[algumas destas questões são desenvolvidas nos textos do catálogo da exposição
Da fotografia ao azulejo. Povo, monumentos e paisagens em Portugal no século XX]

____________________________________________________

PHOTOGRAPHY IN A CONSTRUCTION OF A “REALITY” IN AZULEJO


October 12,
 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 2.13

Abstract
From the late 19th century, the blue and white azulejos return to the walls of private and public buildings. Its dissemination throughout the country gives them an identity symbolism that will be used by different ideologies.

The iconographic origin of many of its images is linked to the technical progress of the graphic arts of the 20th century.  As many of these images, the panels also were used as propaganda of ideas or places, due to the intervention of institutions connected to the local administration, some of which related to tourism.

The images of the “people” are inheritors of an ancient romanticism, which is also in the valorization of other motifs present in the azulejo panels, such as the monuments, as they are a reflection of a mythified past. This romanticism is, at the same time, a product of modernism and its denial.

The selection of contents obtained mainly from photography, books, magazines and postcards, invites a reflection on the element of truth or realism (in reflecting reality) which is shown. The dilemma is to understand if this reality is actually shown, or, on the contrary, created with a specific purpose. To this end, and in addition to the mechanisms resulting from the production  of the azulejo panels, the contexts and the adjustments imposed on these graphic sources (maintaining or eliminating certain persons, for example) enable the evaluation of the process of constructing the image. Thus, while it is being presented, the country is also being built, as it is well expressed in the partial representation of the iconographic content, but everything is done in order to show the “reality”!

José Luis Mingote Calderón

[some of these issues are analysed in the exhibition catalogue From photography to tile. People, monuments and landscapes in Portugal in the first half of the 20th century]

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s