HEIN SEMKE: CERÂMICA NA ARQUITECTURA

25 de Janeiro de 2017 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

[ — Please scroll down for English version — ]

Resumo

Hein Semke deixa a sua Alemanha natal e fixa-se em Lisboa, em 1932. Movendo-se entre a então paisagem campestre de Linda-a-Pastora e o frenesim da Baixa e do café “A Brasileira”, que frequenta assiduamente, integra desde logo o círculo artístico lisboeta. Com formação em escultura e cerâmica, a sua obra desdobrar-se-ia em diferentes suportes artísticos, ora em simultâneo (o desenho esteve sempre presente), ora em sucedâneo.

As suas primeiras obras de maior fôlego, em Portugal, são esculturas monumentais encomendadas pelo Estado português e pela Igreja Evangélica Alemã de Lisboa. Na década de 1940 intensifica a sua obra em cerâmica, explorando as potencialidades e a plasticidade do barro numa intensa e criativa experimentação das artes do fogo, procurando resultados orgânicos vibrantes de cor e brilho. Se, por um lado, defende a singularidade e irrepetibilidade de uma peça, opondo-se à produção industrial, por outro, não se coíbe de utilizar materiais produzidos industrialmente.

Na cerâmica tridimensional realizou um vastíssimo número de obras tentando, por vezes, subverter o sentido de objectos convencionais, transfigurando-os em novas tipologias de objectos, investigando técnicas, tecnologia, a articulação do barro com outros materiais e com o espaço. A tridimensionalidade é um dos vectores da sua produção, caracterizando o próprio artista a sua obra em barro como de “cerâmica escultórica”. Nesta medida, criou obras para aplicação arquitectónica de diferentes dimensões e volumetrias, bem como revestimentos cerâmicos.

Nas décadas de 1950 e 1960 colabora com vários arquitectos na realização de painéis cerâmicos que ainda se encontram aplicados, para projectos que viriam a tornar-se uma referência na arquitectura modernista portuguesa, como a Casa Lino Gaspar, projecto de João Andresen, ou o Hotel Ritz, projectado por Porfírio Pardal Monteiro. Apaixonado pela paisagem portuguesa e, em particular, pela costa e orla marítima, Semke colaborou também com o arquitecto Jorge Chaves em duas unidades hoteleiras no Algarve, que malogradamente já não conservam a sua obra cerâmica, mas cuja memória importa resgatar.

No AzLab#28 iremos centrar a nossa atenção na obra cerâmica para integração arquitectónica de Hein Semke, revisitando aspectos da sua vida e obra pluridisciplinar, que ajudam a compreender e contextualizar o seu trabalho cerâmico.

Patrícia Nóbrega Az- Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA/FLUL) |

____________________________________________________

HEIN SEMKE: CERAMIC IN ARCHITECTURE


January 25th, 2017 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Abstract

In 1932, Hein Semke left his native Germany and settled in Lisbon. Moving between the countryside of Linda-a-Pastora and the frenzy of Baixa and the café “A Brasileira”, which he frequented assiduously, Semke integrated the artistic circle of Lisbon. In Germany, he attained studies in sculpture and ceramics and his work would unfold in different artistic supports, although the drawing was always present in his life.

His first major works in Portugal are monumental sculptures commissioned by the Portuguese State and the Evangelical German Church of Lisbon. In the 1940s he intensified his work in ceramics, exploring the potentials and the plasticity of the clay in an intense and creative experimentation of the arts of fire, and looking for vibrant organic results of color and brilliance. If, on the one hand, he defends the uniqueness and unrepeatability of a piece, opposing to the industrial production, on the other hand, he does not shy away from using industrially produced materials.

Semke carried out a vast number of works in tridimensional ceramics, sometimes trying to subvert the meaning of conventional objects, transfiguring them into new types of objects. Semke aimed to research techniques, technology, and the articulation of clay with other materials within a space. The tridimensionality is one of the vectors of his production. In this sense, the artist characterized his work in clay as “sculptural ceramics”, which he also created for architectural application with different dimensions and volumes, as well as ceramic coverings.

In the decades of 1950 and 1960 he collaborates with several architects in the realization of ceramic panels that remain applied, for projects that would become a reference in Portuguese modernist architecture, such as the Casa Lino Gaspar, a  João Andresen’s project, or the Hotel Ritz, designed by Porfírio Pardal Monteiro. Passionate about the portuguese landscape and, in particular, the coast and seafront, Semke also collaborated with the architect Jorge Chaves in two hotels in Algarve which, unfortunately, no longer maintain their ceramic work.

In AzLab#28 we will focus our attention on Hein Semke’s ceramics for architectural integration, revisiting aspects of his life and multidisciplinary career that help to understand and contextualize his ceramic work.

Patrícia Nóbrega Az- Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA/FLUL) |

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s