OS AZULEJOS DA EXPO ‘98: 20 ANOS DEPOIS

23 ​de​ Maio ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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Há vinte anos inaugurou um dos mais importantes eventos culturais que a cidade de Lisboa acolheu, a Exposição Internacional de Lisboa ou, como ficou conhecida para a maioria dos portugueses, a Expo’98. Com um programa culturalmente intenso, que durou cerca de quatro meses (22 de Maio-1 de Outubro), a Expo ‘98 foi idealizada sob o tema Os Oceanos – um património para o futuro. Um dos seus objectivos foi o de (r)estabelecer o vínculo entre o rio Tejo e a comunidade lisboeta através de um plano de regeneração urbana da zona ribeirinha de Lisboa, mais concretamente a área portuária e industrial da doca dos Olivais. O azulejo foi uma das artes escolhidas para integrar algumas das intervenções urbanas inseridas no seu programa de arte urbana, estando ainda presente nos edifícios de dois dos principais pavilhões da exposição – o Pavilhão de Portugal e dos Oceanos (hoje Oceanário de Lisboa). Passados vinte anos, testemunhamos a consolidação urbana desta área da cidade, transformada numa “nova centralidade metropolitana”, o Parque das Nações, que continua a crescer e a receber propostas artísticas, nas quais perdura a presença do azulejo.

Para assinalar a efeméride o AzLab#40 é dedicado a este grande evento cultural e, mais concretamente, aos seus azulejos, contando com a presença de um dos mentores da Expo ‘98, António Mega Ferreira, que irá abordar o processo de idealização e construção da Exposição Internacional de Lisboa, conferindo especial destaque ao azulejo. Neste AzLab ir-se-á abordar, ainda, como o imaginário dos oceanos e dos mares tem sido explorado na produção azulejar ao longo dos séculos, através de um breve enquadramento histórico feito por Rosário Salema de Carvalho, e percorrer o conjunto azulejar do actual Parque das Nações, através de uma análise pormenorizada das intervenções concebidas no âmbito da Expo ‘98, a par de outras realizadas posteriormente, numa proposta conduzida por Inês Leitão.

Por muito que já se tenha lido ou ouvido falar sobre a Expo ‘98, há sempre qualquer coisa para descobrir!

Convidados:
António Mega Ferreira [AMEC | Metropolitana – Director Executivo]
Inês Leitão [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]
Rosário Salema de Carvalho [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]

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THE AZULEJOS OF EXPO ’98: 20 YEARS LATER

May 23rd, 2018 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Twenty years ago it inaugurated one of the most important cultural events that the city of Lisbon hosted, the Lisbon International Exhibition or, as it was known for most of the Portuguese, Expo ’98. With a culturally intense program that lasted about four months (May 22nd-October 1st) Expo ’98 was designed under the theme The Oceans – a heritage for the future. One of its objectives was to (re)establish the link between the river Tagus and the Lisbon community through an urban regeneration plan of the city’s riverside area, more specifically the port and industrial area of the Olivais dock. The azulejo (tile) was one of the arts chosen to integrate some of the urban interventions included in its urban art program, and is still present in the buildings of two of the exhibition’s main pavilions – the Portugal and the Oceans Pavilion (now the Oceanário de Lisboa (Lisbon Aquarium)). Twenty years later, we witnessed the urban consolidation of this area, transformed into a “new metropolitan center”, the Parque das Nações, that continues to grow and receive artistic proposals, in which the presence of the tile remains.

To mark the anniversary, AzLab#40 is dedicated to this great cultural event, and more specifically, to its tiles, with the presence of one of the mentors of Expo ’98, António Mega Ferreira, who will approach the process of idealization and construction of the Lisbon International Exhibition, giving special attention to the tile. In this AzLab we will also explore how the imagery of the oceans and seas has been explored in tile production throughout the centuries, through a brief historical context made by Rosário Salema de Carvalho, and go through the tile set of the current Parque das Nações, through a detailed analysis of the interventions conceived in under the Expo ’98, along with others made later, in a proposal conducted by Inês Leitão.

No matter how much you have read or heard about Expo ’98, there is always something to discover!

Invited speakers:
António Mega Ferreira  [AMEC | Metropolitana – Executive Director]
Inês Leitão [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]
Rosário Salema de Carvalho [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]

FIGURAS DE CONVITE

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Resumo
Ao longo de cerca de uma hora, Luísa Capucho Arruda traçou a evolução das figuras de convite, desde o que considera serem as precursoras desta tipologia tão específica da azulejaria portuguesa, até ao século XIX. Naturalmente, deteve-se mais tempo no período barroco e, em particular, no reinado de D. João V, mostrando como estas figuras foram adquirindo escala e uma teatralidade cada vez mais evidente, interagindo com os visitantes que recebiam e conduziam através das escadarias das diversas casas em que se encontram (ou encontravam) aplicadas. Foi ainda destacada a sua importância enquanto elementos associados ao ritual de passagem entre o interior e o exterior.

No período de debate, a cronologia das figuras de convite estendeu-se até à contemporaneidade e alargou-se a outras áreas geográficas, como o Brasil.

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WELCOMING FIGURES


Session overview
For over an hour, Luísa Capucho Arruda traced the evolution of the welcoming figures, from what she considers to be the forerunners of this typology, so specific of Portuguese tiles, until the 19th century. She spent more time in the Baroque period, and particularly in the reign of King João V, showing how these figures acquired scale and an increasingly theatricality, interacting with the visitors they received and led through the steps of the several houses in which they are (or were) applied. It was also highlighted its importance as elements associated with the ritual of passage between the interior and exterior.

In the debate, the chronology of the welcoming figures was extended until contemporaneity and to other geographic areas, like Brazil.

FIGURAS DE CONVITE

18 ​de​ Abril ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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Sugestões de leitura
ARRUDA, Luísa – Azulejaria barroca portuguesa: figuras de convite. Lisboa: Inapa, 1996.

ARRUDA, Luísa d’Orey Capucho – “Figuras de Convite em Portugal e no Brasil”. Oceanos – Azulejos Portugal e Brasil. Lisboa. 36/37 : CNPDP (Out. 1998 / Março 1999), pp. 126-154.

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April 18th, 2018 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Reading suggestions
ARRUDA, Luísa – Azulejaria barroca portuguesa: figuras de convite. Lisboa: Inapa, 1996.

ARRUDA, Luísa d’Orey Capucho – “Figuras de Convite em Portugal e no Brasil”. Oceanos – Azulejos Portugal e Brasil. Lisboa. 36/37 : CNPDP (Out. 1998 / Março 1999), pp. 126-154.

FIGURAS DE CONVITE

18 ​de​ Abril ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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Convidado:
Luísa Capucho Arruda [Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes, Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa]

Luísa Capucho Arruda
Artista e historiadora de arte. Desenho, Teoria e História do Desenho, Azulejaria Portuguesa e Estudos de Género constituem os seus interesses de investigação actuais. Professora Associada da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, coordena a especialidade de Desenho no Curso de Doutoramento em Belas Artes-Desenho e a Secção Francisco de Holanda do CIEBA. É sócia correspondente da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa.

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April 18th, 2018 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Invited speaker:
Luísa Capucho Arruda [Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes, Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa]

Luísa Capucho Arruda
Artist and art historian. Drawing, Theory and History of Drawing, Portuguese Tiles and Gender Studies constitute her current research interests. Associate Professor at the Faculty of Fine Arts of the Universidade de Lisboa, she coordinates the Drawing specialty in the Doctoral Course in Fine Arts-Drawing and the Francisco de Holanda Section of the Center for Research and Studies in Fine Arts (CIEBA). She is corresponding member of the Academia Nacional de Belas Arte (National Academy of Fine Arts) of Lisbon.

FIGURAS DE CONVITE

18 ​de​ Abril ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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As figuras de convite representam uma das singularidades da azulejaria portuguesa, que faz parte do imaginário nacional desde o período barroco. De contornos recortados (ou não) e concebidas à escala natural, continham uma forte expressão teatral que apelava aos sentidos do observador. De um modo geral, as figuras de convite personificavam criados de libré, guerreiros ou damas, sendo idealizadas para entradas ou patamares de escadas, onde pretendiam receber os visitantes através do olhar, gestos (que indicavam o percurso) ou frases, mas conheceram múltiplas variantes.

Neste AzLab#39 regressamos a um tema muito especial da história da azulejaria portuguesa – as figuras de convite -, pela mão de Luísa Capucho Arruda, uma das investigadoras que mais aprofundou o estudo das figuras de convite, em particular no período barroco, tema a que dedicou a sua dissertação de mestrado.

Convidado:
Luísa Capucho Arruda [Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes, Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa]

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Foto: Francisco Queiroz / IPC

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WELCOMING FIGURES


April 18th, 2018 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

The welcoming figures represent one of the singularities of Portuguese azulejos (tiles), since the Baroque period. With cut out contours (or not) and conceived on a natural scale, they contained a strong theatrical expression that appealed to the observer’s senses. In general, the welcoming figures personified livery servants, warriors or ladies, being idealized for entrances or steps of stairs, where they received visitors through a look, gestures (that indicated the route) or phrases, but they knew multiple variants.

In this AzLab#39 we return to a very special theme in the history of Portuguese tiles – the welcoming figures – by the hand of Luísa Capucho Arruda, one of the researchers who further studied the welcoming figures, particularly in the Baroque period, subject to which she devoted her master’s thesis.

Invited speaker:
Luísa Capucho Arruda [Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes, Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa]

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Photo: Francisco Queiroz / IPC 

DO CASULO À RESIDÊNCIA ARTÍSTICA: ARTISTAS NA FÁBRICA VIÚVA LAMEGO

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Resumo
Durante uma hora, as intervenções de Ana Almeida e Maria Ana Vasco Costa abriram as múltiplas portas da Viúva Lamego (VL), conduzindo o público do AzLab#38 através dos “casulos” situados ainda nas instalações da Palma de Baixo, em Lisboa (a segunda casa da VL depois do Largo do Intendente) e dos ateliers na Abrunheira, em Sintra, onde a fábrica se encontra desde o início da década de 1990.

Ana Almeida começou por contextualizar a parceria que, desde a década de 1930, se estabeleceu entre a VL e vários artistas que aí trabalharam e tiveram os seus “casulos”, isto é, que mantiveram um espaço de trabalho próprio na fábrica. Foram referidos os artistas Jorge Barradas, Manuel Cargaleiro que trabalhou como seu assistente, Cecília de Sousa que “herdou” o casulo de Manuel Cargaleiro aquando da sua partida para Paris, Querubim Lapa e Maria Emília Araújo, que hoje ocupa o atelier deste último. Mais tarde, no debate, voltar-se-ia a esta questão da disponibilidade da VL para receber artistas e do carácter inovador desta proposta, destacando o papel desempenhado por alguns dos seus administradores, em particular o pintor Eduardo Leite e o Eng.º Álvaro Garcia.

Numa primeira fase, Maria Ana Vasco Costa falou sobre o seu trabalho, referindo-se com enorme entusiasmo à descoberta das potencialidades da cerâmica, primeiro no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual (onde estudou e hoje é responsável pelo Departamento de Cerâmica) e depois nas olarias com que trabalhou, até ter sido convidada como artista-residente na Viúva Lamego (2017). Mostrando azulejos e cerâmica tridimensional, Maria Ana foi contando as dificuldades com que se debateu, quer ao nível do manuseamento das peças, quer ao nível das dimensões dos fornos, por exemplo, chamando sempre a atenção para a complexidade inerente à produção cerâmica e à importância das formas e da cor no seu trabalho.

O habitual período de debate foi, desta vez, substituído por alguns testemunhos emocionados da assistência sobre as suas experiências de trabalho e vivências na Viúva Lamego, e por algumas perguntas a Maria Ana Vasco Costa, entre as quais destacamos as que incidiram sobre os seus processos criativos e a relação que hoje é possível estabelecer entre os artistas-residentes na fábrica.

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FROM THE COCOON TO THE ARTISTIC RESIDENCE: ARTISTS IN THE FACTORY VIÚVA LAMEGO


Session overview
For an hour, the interventions of Ana Almeida and Maria Ana Vasco Costa opened the multiple doors of Viúva Lamego (VL), leading the audience of AzLab#38 through the “cocoons” still located in Palma de Baixo, Lisbon (the second house of VL after Largo do Intendente) and the ateliers in Abrunheira, Sintra, where the factory has been since the beginning of the 1990s.

Ana Almeida began by contextualizing the collaboration that, since the 1930s, was established between the VL and several artists who worked there and had their “cocoons”, that is, who maintained a work space of their own in the factory. She mentioned the artists Jorge Barradas, Manuel Cargaleiro, who worked as his assistant, Cecília de Sousa, who “inherited” the cocoon of Manuel Cargaleiro on his departure to Paris, Querubim Lapa and Maria Emília Araújo, who today occupies the atelier of the latter. Later, in the debate, we returned to this question of the willingness of VL to receive artists and the innovative character of this proposal, highlighting the role played by some of its administrators, in particular the painter Eduardo Leite and Engº Álvaro Garcia.

Maria Ana Vasco Costa spoke about her work, referring with great enthusiasm to the discovery of the ceramic potentials, first in the Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual (where she studied and is now in charge of the Ceramics Department) and then in the potteries with which she worked, until she was invited as an artist-resident at Viúva Lamego (2017). Showing azulejos (tiles) and three-dimensional ceramics, Maria Ana described the difficulties she faced in terms of both the handling of parts and the size of the furnaces, always drawing attention to the inherent complexity of ceramic production and the importance shapes and colour have in her work.

The usual period of debate was replaced by a few emotional testimonies of the audience about their work and life experiences at Viúva Lamego, and by some questions to Maria Ana Vasco Costa, among which we highlight the ones that focused on her creative processes and the relationship that can be established today among artists-residents in the factory.