AZULEJOS “ON THE ROCKS”: PADRÕES DE ROCHAS ORNAMENTAIS EM AZULEJOS LISBOETAS DO SÉC. XIX

24​​ ​de​ Janeiro ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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Resumo

Um elemento definidor do aspecto da cidade de Lisboa é o calcário fossilífero esbranquiçado de idade cretácica conhecido localmente como liós (ou lioz). Esta rocha ornamental é amplamente usada nos seus monumentos e edifícios mais nobres. Os azulejos são outro importante componente da atmosfera única da capital portuguesa. A sua presença quase ubíqua nas fachadas alfacinhas mais tradicionais, os seus padrões coloridos, até o modo especial como reflectem a famosa luminosidade lisboeta, tornam-nos elementos essenciais da ambiência da cidade.

O desejo de imitar o liós nas fachadas de alguns edifícios românticos oitocentistas mais modestos – um material de construção nobre e, por isso mesmo, dispendioso – levou ao uso da técnica da pintura de fingimento em azulejos para mimetizar a aparência da pedra. As reproduções do padrão do liós fossilífero são por vezes tão realistas que as representações dos fósseis de rudistas que nele ocorrem (bivalves cretácicos extintos) são facilmente identificáveis.

Até há pouco, os painéis de azulejos oitocentistas representando o padrão da rocha ornamental liós com fósseis de rudistas não era reconhecido como tal por especialistas em artes decorativas. Estes painéis são frequentemente vistos como produções industriais representando marmoreados indistintos, de menor valia estética, sendo frequentemente negligenciados e até descartados pelos proprietários dos imóveis onde foram aplicados.

A interpretação destes painéis como “azulejos de rudistas” baseia-se no reconhecimento do facto de que constituem uma representação do liós e dos seus fósseis, elementos típicos da geodiversidade lisboeta, demonstrando assim o seu carácter único e a sua ligação fundamental com a geologia urbana e o ambiente cultural de Lisboa. Para além de tudo o mais, os “azulejos de rudistas” são um excelente exemplo do papel da geodiversidade como geradora de diversidade cultural e fonte de inspiração artística.

Carlos Marques da Silva | Departamento de Geologia, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa |

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TILES “ON THE ROCKS”: ORNAMENTAL STONE PATTERNS IN 19TH CENTURY TILES OF LISBON


January 24th, 2018
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18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Abstract

One key element defining the appearance of Lisbon is the whitish Cretaceous fossiliferous limestone locally known as “liós”. The liós is abundantly used as ornamental stone in city monuments and buildings. Ceramic tiles are also paramount in creating Lisbon’s atmosphere. Their ubiquitous presence, their colourful patterns, even the unique way they reflect sunlight, makes them inextricable from the city’s ambiance.

In nineteenth century romantic tiles, the urge to emulate liós in housing building façades – a noble and expensive construction material – led to the use of trompe l’oeil tile panels mimicking the appearance of the stone. In some of these panels, the representation of the fossiliferous liós pattern is so realistic that the fossils of rudists (extinct cretaceous bivalves, and a common geological element in liós) may easily be identified.

So far, romantic period tile panels representing liós rock patterns with rudist fossils haven’t been recognized as such by decorative arts experts. These tiles are often seen as lesser industrial productions depicting indistinct marbled patterns and often neglected or even discarded by building owners. This interpretation of the “rudist tiles” leads to the clear recognition of the liós – a typical element of local geodiversity – depicted in them, thus revealing the uniqueness of these tiles and the fundamental connection existing between urban geology and the cultural ambiance of Lisbon. Above all, “rudist tiles” are also a fine example of the role of geodiversity as generator of cultural diversity and as source of artistic inspiration.

Carlos Marques da Silva | Geology Department, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa |  

CALL FOR PAPERS
AzLab#42 especial | Identidade(s) do azulejo em Portugal


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4 de Outubro de 2018
Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, anfiteatro III

Prazo limite:
5 de Março de 2018
Língua oficial: inglês
[apenas são aceites resumos em inglês. As apresentações serão obrigatoriamente em inglês caso haja participações estrangeiras. Os artigos são publicados apenas em inglês]

O azulejo tem vindo a ser valorizado em Portugal, do ponto de vista teórico, desde a segunda metade do século XIX, numa perspectiva que acentua, de forma crescente, a ideia de especificidade e de identidade. Actualmente, o azulejo é reconhecido como uma das artes que mais identifica a herança patrimonial portuguesa. Mas será que é mesmo assim?

Integrado no mês do azulejo e nas celebrações do ano europeu do património cultural,  o AzLab#42 pretende discutir as questões de identidade(s) relacionadas com o azulejo, centrando a sua atenção em três eixos:

      1. Azulejo: que identidade(s)?
      2. A construção historiográfica da ideia de azulejo como arte identitária
      3. Identidade nacional: o lugar do azulejo


[CALL FOR PAPERS – PDF com texto completo]


Hashtag
oficiais: #IdentidadesAzulejo #IdentitiesOfTheAzulejo #AzLab #RedeAzulejo #EuropeForCulture

SUBMISSÃO DE RESUMOS
Resumo: 500 palavras min. / 900 palavras máx.
Palavras-chave: 4
Nota biográfica: 300 palavras máx.
Nome e afiliação
Línguas aceites: inglês
Formato: word
E-mail de envio: redeazulejo@letras.ulisboa.pt (assunto: AzLab#42)
Comunicações: 15 min.

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DATAS IMPORTANTES
Submissão de resumos: 5 de Março de 2018
Comunicação de aceitação: 9 de Abril de 2018
Submissão do artigo: 4 de Junho de 2018
Comunicação de aceitação: 2 de Julho de 2018
Inscrições: via Eventbrite (endereço a anunciar) até 20 de Setembro de 2018
AzLab#42: 4 de Outubro de 2018
Alterações de artigos: 31 de Outubro de 2018
Comunicação de aceitação: 20 de Novembro de 2018

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CALL FOR PAPERS
AzLab#42 special | Identity(ies) of the Azulejo in Portugal


October 4, 2018
Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, anf. III

Deadline: March 5, 2018
Official language: English [only abstracts in English will be accepted. If there are international participants, papers must be delivered in English as well. Essays will be published in English only]

From a theoretical point-of-view, azulejos (ceramic tin-glazed tiles) have been treasured in Portugal since the second half of the nineteenth century, especially through a perspective that increasingly highlights their unique specificity and identity. In fact, today, azulejo is acknowledged as one of the arts that most identifies Portuguese heritage. However, is this truly so?

Included in the month of the azulejo and in the celebrations of the European Year of Cultural Heritage, AzLab#42 aims to debate issues of identity associated with azulejos, focusing on three main points:

       1. Azulejo: what identity(ies)?
       2. The historiographical construction of azulejo as an art linked to identity
       3. National identity: the place of the azulejo 


[CALL FOR PAPERS – PDF with full text]


Official hashtags: 
#IdentitiesOfTheAzulejo #IdentidadesAzulejo #AzLab #RedeAzulejo #EuropeForCulture

ABSTRACT SUBMISSION
Abstract: 500 words min. / 900 words max.
Keywords: 4
Biographical note: 300 words max.
Name and affiliation
Official language: English
Format: word
E-mail: redeazulejo@letras.ulisboa.pt (subject: AzLab#42)
Presentations: 15 min.

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KEY DATES
Abstract submission deadline: March 5, 2018
Notification of acceptance: April 9, 2018
Articles submission deadline: June 4, 2018
Notification of acceptance: July 2, 2018
AzLab#42: June 7, 2017
Registration: via Eventbrite until September 20, 2018
AzLab#42: October 4, 2018
Articles revision: October 31, 2018
Notification of acceptance: November 20, 2018

AZULEJOS “ON THE ROCKS”: PADRÕES DE ROCHAS ORNAMENTAIS EM AZULEJOS LISBOETAS DO SÉC. XIX

24​​ ​de​ Janeiro ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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Convidado:
Carlos Marques da Silva [Departamento de Geologia, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa]

Lisboeta por nascimento (1961), almadense por vias de facto. Paleontólogo, diplomado em Geologia pela Universidade Estatal de Moscovo, M.V. Lomonóssov (1986) e doutorado em Paleontologia pela Universidade de Lisboa (2002).

É Professor Auxiliar do Departamento de Geologia da FCUL, onde coordena a disciplina de Paleontologia. A sua área de investigação mais convencional é a Paleozoologia dos Moluscos Gastrópodes Neogénicos marinhos da região Atlanto-Mediterrânica. Tem particular apreço pela divulgação científica da Paleontologia e da geodiversidade, sobretudo dos aspectos que extravasam a Geologia, com implicações na sociedade e na cultura. Membro do Centro de Arqueologia de Almada desde 1977.

Tem uma paixão – de resto, nem sempre correspondida − por fotografia, sobretudo pela fotografia de viagem, entusiasmo esse alimentado pelo seu gosto de viajar. Integrado em equipas de investigação nacionais e internacionais, já teve a felicidade de realizar trabalho de campo em locais tão díspares e exóticos como o Daguestão, no Cáucaso setentrional russo, e o Panamá, a Venezuela e a Turquia, Marrocos e México. Por seu turno, as suas viagens de lazer enquanto mochileiro já o levaram à China e ao Peru, passando pelo Camboja, por Moçambique, pelo Nepal e pelo Sri Lanka e o Vietname, entre outros destinos, sempre acompanhado da sua curiosidade de viajante e da máquina fotográfica.

É autor e co-autor de centena e meia de artigos científicos e de divulgação sobre, sobretudo, Paleontologia, publicados em revistas da especialidade nacionais e internacionais. É também co-autor de uma centena de novas espécies de gastrópodes Miocénicos, Pliocénicos e actuais de Portugal, França, Turquia, Venezuela e Panamá.

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TILES “ON THE ROCKS”: ORNAMENTAL STONE PATTERNS IN 19TH CENTURY TILES OF LISBON


January 24th, 2018
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18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Invited speaker:
Carlos Marques da Silva [Geology Department, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa]

Lisboner by birth (1961), resident in Almada – across the river Tagus – by force of circumstance by force of circumstanceby force of circumstance. Palaeontologist, graduated in Geology from Moscow State University named after M.V. Lomonosov (1986). PhD in Palaeontology from Lisbon University (2002).

Assistant Professor of Palaeontology at the Department of Geology of the Faculty of Sciences of the University of Lisbon. His more conventional research focus on the Palaeozoology of marine Neogene Gastropods of the Atlanto-Mediterranean region. He is keen on the popularization of Palaeontology and geodiversity, especially those aspects of geodiversity with a greater impact in society and culture. Member of the “Centro de Arqueologia de Almada” since 1977.

He is passionate about travel photography, an enthusiasm fuelled by his love of travelling. Alas, this passion is not always reciprocated by the subjects he sometimes tries to photograph. As a member of several national and international research teams, CMS was happy to conduct field work in such contrasting and exotic locations as Dagestan, in Russian Northern Caucasus, and Panama, Venezuela and Turkey, Morocco and Mexico. His backpacking travels have taken him to countries such as China and Peru, and also Cambodia, Mozambique, Nepal, Sri Lanka and Vietnam, amongst others, always curious about local life, and always with his camera.

He authored and co-authored nearly one hundred and fifty scientific and science popularization papers, mainly about Palaeontology, published in national and international journals. He also co-authored nearly one hundred new species of Miocene, Pliocene and present day gastropods from Portugal, France, Turkey, Venezuela and Panama.  

AZULEJOS “ON THE ROCKS”: PADRÕES DE ROCHAS ORNAMENTAIS EM AZULEJOS LISBOETAS DO SÉC. XIX

24​​ ​de​ Janeiro ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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Já repararam que as simulações de rochas em azulejo podem ser tão realistas que são facilmente identificáveis?

Continuando a apostar na interdisciplinaridade e em descobrir novos olhares sobre o azulejo, o AzLab#36 tem como convidado Carlos Marques da Silva, que irá mostrar um conjunto de exemplos de representações realistas de revestimentos cerâmicos que simulam lioz e em que se identificam fósseis de bivalves rudistas.

Convidado:
Carlos Marques da Silva [Departamento de Geologia, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa]

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Foto: Carlos Marques da Silva

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TILES “ON THE ROCKS”: ORNAMENTAL STONE PATTERNS IN 19TH CENTURY TILES OF LISBON


January 24th, 2018
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18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Have you noticed that in addition to simulating stonework, many of these seemingly random representations accurately copy the veins and knots of the stones they are trying to simulate?!

Continuing to invest in interdisciplinarity and discovering new looks on the tile, the AzLab#36 has as guest Carlos Marques da Silva, who will show a set of examples of realistic representations of lioz and in which fossils of rudist bivalves are identified.

Invited speaker:
Carlos Marques da Silva [Geology Department, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa]

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Photo: Carlos Marques da Silva

O QUE É O AZULEJO? | WHAT IS A TILE?

 

 

 

 

Rita Gomes Ferrão
Investigadora Researcher

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Azulejos são placas cerâmicas de formatos e volumes variados, revestimento de muros, conferindo-lhes identidade, protecção e flexibilidade. Como as escamas de um peixe, os muros azulejados acompanham o movimento rápido, a passagem distraída, o olhar desatento, convertendo-se em afterimages que povoam memória. Promovem o conforto através da envolvência do corpo, fornecem enquadramento, orquestram ritmos, identificam os espaços, transformando-os em lugares.

O azulejo é veículo de conceitos enunciados pela expressão plástica, é suporte de grafismo e cor, é reflexo e vibração, figuração e abstracção, módulo e padrão, propondo diferentes cadências dadas pela repetição das composições. De produção industrial ou artesanal, o azulejo, constitui uma linguagem transnacional, assumindo características regionais.

Azulejo é também fragmento e lacuna, o indício dado pela parcela ou interrogação causada pela ausência. Peça integrante de um puzzle milenar e intemporal.

Desde o azul da Babilónia que azulejo é objecto de desejo, sintoma de civilização e matéria de cobiça, símbolo da eterna busca e fascínio pela cintilação. Para mim, é também a estrada azulejada a amarelo limão, o “follow the yellow brick road”, que conduz à cidade esmeralda de Oz, a representação da crença na ilusão.

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Foto: Carlos Alberto Carrilho

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Azulejos (tiles) are ceramic plaques of various shapes and volumes, wall coverings, giving them identity, protection and flexibility. Like the scales of a fish, the tiled walls accompany the rapid movement, the distracted passage, the inattentive gaze, converting themselves into afterimages populating memory. They promote comfort through the body’s involvement, they provide framing and orchestrate rhythms, they identify spaces and transform them into places.

The tile is a vehicle of concepts enunciated by the plastic expression, it is support of graphics and colour, it is reflection and vibration, figuration and abstraction, module and pattern, proposing different rhythms given by the repetition of the compositions. Of industrial or handmade production, the tile, constitutes a transnational language, assuming regional characteristics.

Tile is also fragment and gap, the clue given by the parcel or questioning caused by the absence. An integral part of an ancient and timeless puzzle.

Since the blue of Babylon that the tile is an object of desire, a symptom of civilization and a subject of greed, a symbol of eternal search and fascination with scintillation. For me, it is also the lemon-yellow road, the “follow the yellow brick road,” which leads to the emerald city of Oz, the representation of belief in illusion.

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Photo: Carlos Alberto Carrilho

O QUE É O AZULEJO? | WHAT IS A TILE?

 

 

 

 

 

Eduardo Nery
Artista /
Artist

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“Entendemos que só se pode falar de azulejo, quando a malha formada por muitas peças iguais se define com muita clareza, como uma retícula regular e constante, quer os seus elementos sejam quadrados, quer sejam rectangulares, ou que tenham ainda outros formatos menos usuais. Portanto, o que decide se estamos perante um azulejo é a regularidade e a continuidade da malha com o uso de peças todas iguais, repetidas ou prolongadas ao longo de uma superfície. (…) Por outro lado, se estivermos perante superfícies nas quais se ajustam peças cerâmicas com dois (ou mais) formatos geométricos diferentes, como acontece em muitas mesquitas e palácios muçulmanos, no nosso entender também não se trata de obras em azulejo (…)”.

Eduardo Nery – Apreciação Estética do Azulejo, Lisboa: INAPA, 2007, p. 12-13.

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“We understand that one can only speak of azulejo (tile), when the mesh formed by many equal parts is defined very clearly, as a regular and constant grid, whether their elements are square, rectangular, or have other less usual shapes. Therefore, what decides if we are facing a tile is the regularity and continuity of the mesh with the use of uniformed pieces, repeated or prolonged along a surface. (…) On the other hand, if we are facing surfaces on which ceramic pieces fit with two (or more) different geometric shapes, as is the case in many Muslim mosques and palaces, in our view, those too are not works of tile (…)”. [free translation]

Eduardo Nery – Apreciação Estética do Azulejo, Lisboa: INAPA, 2007, p. 12-13.

O QUE É O AZULEJO? | WHAT IS A TILE?

 

 

 

 

 

 

 

Maria Emília Silva Araújo
Ceramista / Ceramist

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Azulejo é emoção, é êxtase ao tocar beleza, é energia condensada a narrar a nossa alma lusa.

Mergulhados na sua dimensão onírica convivem em harmonia estética batalhas sem fim e juras de amor eterno, heróis e rostos sofridos, miséria e júbilo de fartas colheitas, gente antiga e de agora, o gosto salgado das conquistas ultramarinas, o aroma da clorofila de distantes terras quentes.

Nele soa o fado, ecoa saudade funda e a certeza de se atravessar os tempos.

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Tile is emotion, it is ecstasy when touching beauty, it is condensed energy narrating our Portuguese soul.

Immersed in their dreamlike dimension, endless battles and vows of eternal love, heroes and suffering faces, misery and jubilation of rich harvests, ancient and new people, the salty taste of overseas conquests, the aroma of chlorophyll from distant warm lands coexist in aesthetic harmony.

In it fado sounds, echoes saudade (nostalgia) and the certainty of crossing the times.

O QUE É O AZULEJO? | WHAT IS A TILE?

 

 

 

 

 

 

 
Maria Keil
Artista / Artist

[​ ​—​ ​Please​ ​scroll​ ​down​ ​for​ ​English​ ​version​ ​—​ ​]

Citando Maria Keil  “O azulejo para mim é, antes de tudo, um material de revestimento usado na arquitectura. Isso confere-lhe logo o rótulo de utilitário, portanto Arte Menor, para muita gente. O azulejo é essencialmente uma presença, um brilho. Liso ou trabalhado, de extrema simplicidade ou de extrema riqueza, é sempre perturbante. Para mim, o bom azulejo é uma grande Arte difícil”.

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MARTINS, Maria Manuela d’Oliveira – Conversa com Maria Keil. In Maria Keil. Azulejos. Lisboa: Museu Nacional do Azulejo, 1989, p.47 [catálogo de exposição].

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Quoting Maria Keil “The tile for me is, above all, a covering material used in architecture. This gives it the label of utility, therefore, Minor Art, for many people. Essentially, the tile is a presence, a brightness. Smooth or rolled material, of extreme simplicity or extreme richness, it is always disturbing. For me, a good tile is a great difficult Art”. [free translation]

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MARTINS, Maria Manuela d’Oliveira – Conversa com Maria Keil. In Maria Keil. Azulejos. Lisboa: Museu Nacional do Azulejo, 1989, p.47 [exhibition catalogue].

O QUE É O AZULEJO?

[​ ​—​ ​Please​ ​scroll​ ​down​ ​for​ ​English​ ​version​ ​—​ ​]

Resumo

Entre normas e “artisticidade”, passando por dimensões, métricas, suporte de mensagens, experiências estéticas, durabilidade, alterações, entre muitos outros aspectos, a conversa sobre o que é o azulejo prolongou-se por cerca de duas horas, muito participadas!

Adivinhando a dificuldade de resumir todos os interessantíssimos aspectos do debate, desta vez estivemos em directo e os vídeos da sessão continuam disponíveis no evento da nossa página do facebook.

Respondendo ao desafio final de João Manuel Mimoso, e a partir das múltiplas ideias em discussão, arriscamos a deixar aqui expressa uma definição possível, que é necessariamente ampla e inclusiva: azulejo é um material cerâmico que, independentemente da forma e do relevo, reveste e articula-se com a arquitectura. É, pois, um revestimento cerâmico num sentido abrangente e considerado num contexto histórico português de tradição de aplicação arquitectónica.

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WHAT IS A TILE?


Session overview

Between guidelines and “artisticity”, through dimensions, metrics, messaging support, aesthetic experiences, durability, alterations, among many other things, the conversation about what is a tile lasted for about two hours, and was very participated!

Guessing the difficulty of summarizing all the interesting aspects of the debate, this time we were live and the videos of the session are still available in the event of our facebook page.

Responding to the final challenge of João Manuel Mimoso, and based on the multiple ideas under discussion, we risk leaving here a possible definition that is necessarily broad and inclusive: azulejo (tile) is a ceramic material that, regardless of the shape and of the relief, it covers and articulates with architecture. It is, therefore, a ceramic covering in a comprehensive sense and considered in a Portuguese historical context of tradition of architectural application.