DO CASULO À RESIDÊNCIA ARTÍSTICA: ARTISTAS NA FÁBRICA VIÚVA LAMEGO

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Resumo
Durante uma hora, as intervenções de Ana Almeida e Maria Ana Vasco Costa abriram as múltiplas portas da Viúva Lamego (VL), conduzindo o público do AzLab#38 através dos “casulos” situados ainda nas instalações da Palma de Baixo, em Lisboa (a segunda casa da VL depois do Largo do Intendente) e dos ateliers na Abrunheira, em Sintra, onde a fábrica se encontra desde o início da década de 1990.

Ana Almeida começou por contextualizar a parceria que, desde a década de 1930, se estabeleceu entre a VL e vários artistas que aí trabalharam e tiveram os seus “casulos”, isto é, que mantiveram um espaço de trabalho próprio na fábrica. Foram referidos os artistas Jorge Barradas, Manuel Cargaleiro que trabalhou como seu assistente, Cecília de Sousa que “herdou” o casulo de Manuel Cargaleiro aquando da sua partida para Paris, Querubim Lapa e Maria Emília Araújo, que hoje ocupa o atelier deste último. Mais tarde, no debate, voltar-se-ia a esta questão da disponibilidade da VL para receber artistas e do carácter inovador desta proposta, destacando o papel desempenhado por alguns dos seus administradores, em particular o pintor Eduardo Leite e o Eng.º Álvaro Garcia.

Numa primeira fase, Maria Ana Vasco Costa falou sobre o seu trabalho, referindo-se com enorme entusiasmo à descoberta das potencialidades da cerâmica, primeiro no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual (onde estudou e hoje é responsável pelo Departamento de Cerâmica) e depois nas olarias com que trabalhou, até ter sido convidada como artista-residente na Viúva Lamego (2017). Mostrando azulejos e cerâmica tridimensional, Maria Ana foi contando as dificuldades com que se debateu, quer ao nível do manuseamento das peças, quer ao nível das dimensões dos fornos, por exemplo, chamando sempre a atenção para a complexidade inerente à produção cerâmica e à importância das formas e da cor no seu trabalho.

O habitual período de debate foi, desta vez, substituído por alguns testemunhos emocionados da assistência sobre as suas experiências de trabalho e vivências na Viúva Lamego, e por algumas perguntas a Maria Ana Vasco Costa, entre as quais destacamos as que incidiram sobre os seus processos criativos e a relação que hoje é possível estabelecer entre os artistas-residentes na fábrica.

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FROM THE COCOON TO THE ARTISTIC RESIDENCE: ARTISTS IN THE FACTORY VIÚVA LAMEGO


Session overview
For an hour, the interventions of Ana Almeida and Maria Ana Vasco Costa opened the multiple doors of Viúva Lamego (VL), leading the audience of AzLab#38 through the “cocoons” still located in Palma de Baixo, Lisbon (the second house of VL after Largo do Intendente) and the ateliers in Abrunheira, Sintra, where the factory has been since the beginning of the 1990s.

Ana Almeida began by contextualizing the collaboration that, since the 1930s, was established between the VL and several artists who worked there and had their “cocoons”, that is, who maintained a work space of their own in the factory. She mentioned the artists Jorge Barradas, Manuel Cargaleiro, who worked as his assistant, Cecília de Sousa, who “inherited” the cocoon of Manuel Cargaleiro on his departure to Paris, Querubim Lapa and Maria Emília Araújo, who today occupies the atelier of the latter. Later, in the debate, we returned to this question of the willingness of VL to receive artists and the innovative character of this proposal, highlighting the role played by some of its administrators, in particular the painter Eduardo Leite and Engº Álvaro Garcia.

Maria Ana Vasco Costa spoke about her work, referring with great enthusiasm to the discovery of the ceramic potentials, first in the Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual (where she studied and is now in charge of the Ceramics Department) and then in the potteries with which she worked, until she was invited as an artist-resident at Viúva Lamego (2017). Showing azulejos (tiles) and three-dimensional ceramics, Maria Ana described the difficulties she faced in terms of both the handling of parts and the size of the furnaces, always drawing attention to the inherent complexity of ceramic production and the importance shapes and colour have in her work.

The usual period of debate was replaced by a few emotional testimonies of the audience about their work and life experiences at Viúva Lamego, and by some questions to Maria Ana Vasco Costa, among which we highlight the ones that focused on her creative processes and the relationship that can be established today among artists-residents in the factory.

DO CASULO À RESIDÊNCIA ARTÍSTICA: ARTISTAS NA FÁBRICA VIÚVA LAMEGO

14 ​de​ Março ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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Entrevista Manuel Cargaleiro
Para preparar este AzLab fomos à Viúva Lamego falar com o Mestre Manuel Cargaleiro. Aqui ficam alguns excertos da entrevista conduzida pela Patrícia Nóbrega e pela Inês Leitão. Obrigada Mestre por este privilégio!

Manuel Cargaleiro (MC)
Aos 91 anos tenho imensos projectos para fazer ainda!
(…)
E o Luís Reis Santos levou-me à Brasileira do Chiado, apresentou-me ao Jorge Barradas, eu fui trabalhar para o atelier do Jorge Barradas, aprendi tudo com ele!
(…)
Fui para a Viúva Lamego, o atelier dele era grande, e ele tinha dois terços e eu tinha um terço.

Em 1949. Eu aí comecei a aprender tudo, que eu não sabia nada. Aí foi a minha escola da cerâmica, com o Jorge Barradas. O Jorge Barradas que sabia tudo!
(…)
Depois disto, no princípio dos anos 50, depois do Picasso e do Miró (…) e aí foi o Leite e o Eng.º Garcia, esses tiveram muita influência. Tiveram, sabe porquê? Porque eles facilitaram e abriram as portas…
(…)
Sabe que eu gostava tanto, tanto, tanto, de ver o Rogério Ribeiro ali ao lado a trabalhar. Era um prazer vê-lo.
(…)

Patrícia Nóbrega (PN)
Por isso é que refere, como li numa entrevista, a importância de estar sempre a trabalhar, porque a inspiração pode chegar em qualquer altura e assim está preparado.

MC
Exactamente. Se eu não estou a trabalhar na altura em que passa a inspiração, não a apanhei.
(…)
Agora é a vez do azulejo. O azulejo na arquitectura. Isto para mim é o segredo da continuidade.
(…)
Quando estou a pintar cerâmica, azulejo, estou a pensar em pintura, e quando estou a pintar a pintura estou a pensar nos azulejos, quer dizer, há uma interferência de uma coisa da outra, que está ligado.
(…)
E agora já começa a haver trabalhos… ainda há bocadinho o [Gonçalo] mostrou-me umas coisas lindíssimas de uma rapariga que ganhou agora um prémio…

Inês leitão (IL)
Da Maria Ana Vasco Costa

MC
Muito bonitos esses azulejos!

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FROM THE COCOON TO THE ARTISTIC RESIDENCE: ARTISTS IN THE FACTORY VIÚVA LAMEGO


March 14th,
2018 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Interview with Manuel Cargaleiro
To prepare this AzLab we went to Viúva Lamego to speak with Master Manuel Cargaleiro. Here are some excerpts from the interview conducted by Patricia Nóbrega and Inês Leitão. Thank you Master for this privilege!

Manuel Cargaleiro (MC)
At 91 years of age, I have lots of projects yet to do!
(…)
And Luís Reis Santos took me to Brasileira, in Chiado, and introduced me to Jorge Barradas, I went to work for Jorge Barradas’ atelier, I learned everything from him!
(…)
I went to Lamego, his atelier was big, and he had two-thirds and I had a third.

In 1949. I started there to learn everything, because I knew nothing. That was my pottery school, with Jorge Barradas. Jorge Barradas who knew everything!
(…)
After this, in the early 1950’s, after Picasso and Miró (…) and then there was Leite and Eng.º Garcia, who had a lot of influence. They did, do you know why? Because they facilitated and opened the doors…
(…)
You know that I liked it so much, so much, so much, to see Rogério Ribeiro right there working. It was a pleasure to see him.
(…)

Patrícia Nóbrega (PN)
That is why you mention, as I read in an interview, the importance of always be working, because inspiration can come at anytime and, this way, you are always prepared.

MC
Exactly. If I’m not working at the same time that inspiration passes by, then I didn’t catch it.
(…)
Now it is time of the azulejo (tile). The azulejo in architecture. This, for me, is the secret of continuity.
(…)
When I’m painting ceramic, azulejo, I’m thinking about painting, and when I’m painting the painting I’m thinking about azulejos, which means, there is an interference of one thing from the other, which is connected.
(…)
And now it is starting to show up some new works… a while ago [Gonçalo] showed me some beautiful things made by a girl who has now won a prize …

Inês leitão (IL)
Of Maria Ana Vasco Costa

MC
Very beautiful those azulejos!

DO CASULO À RESIDÊNCIA ARTÍSTICA: ARTISTAS NA FÁBRICA VIÚVA LAMEGO

14 ​de​ Março ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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Convidados:
Ana Almeida [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]
Maria Ana Vasco Costa [artista]

Moderador:
Inês Leitão [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]

Ana Almeida
Investigadora do grupo Az – Rede de Investigação em Azulejo [ARTIS-IHA/FLUL] desde Dezembro de 2008. Entre 2012 e 2016 foi bolseira de doutoramento na mesma instituição com o tema Cerâmica de autor para integração arquitectónica nas décadas de 1950 e 1960. A colecção do Museu Nacional do AzulejoÉ professora assistente convidada de Estudos de Museus e História da Arte na ESElx – Escola Superior de Educação de Lisboa, Instituto Politécnico de Lisboa. Mestre em Museologia e Museografia pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa com a tese intitulada Da Cidade ao Museu e do Museu à Cidade: Uma Proposta de Itinerário sobre Azulejaria de Autor na Lisboa da Segunda Metade do Século XX (Março de 2009). Licenciada em História, variante de História da Arte, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1989-1993). Tem como áreas de maior interesse a produção cerâmica contemporânea, arte pública, urbanismo e arquitectura.

Maria Ana Vasco Costa
Vive e trabalha em Lisboa. Licenciada em Arquitectura desde 2004, instala-se em Londres onde exerce durante quatro anos. Em 2009 regressa a Lisboa e inicia o curso de cerâmica de autor no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual. Em 2014 completa o Projecto Individual em Artes Plásticas no Ar.Co, e é convidada para ser responsável do Departamento de Cerâmica, função que ainda desempenha atualmente. Em Abril de 2017 aceita o convite para ser artista-residente na Fábrica Viúva Lamego. A cerâmica é o seu material de eleição nomeadamente pelas possibilidades plásticas que o corpo cerâmico acabado oferece, no que diz respeito a cor, profundidade, temperatura, variação e som. Em paralelo com o seu trabalho artístico, em 2014 executa os seus primeiros projectos utilizando azulejos tridimensionais de manufactura manual: o “The Wall Project MAVC” surge da necessidade de experimentar ideias de cor, textura e padrão conjugando formas geométricas tridimensionais simples, aplicados à escala arquitectónica, respeitando a tradição de azulejos monocromáticos portugueses. Tem intervenções premiadas nos Surface Design Awards, UK, em 2016, 2017 e em 2018. Participa regularmente em exposições coletivas, em Portugal e no estrangeiro, e o seu trabalho tem sido alvo de diversas publicações.

Mais informação | mavcstudio@gmail.com | #thewallprojectmavc  | www.mariaanavascocosta.com

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FROM THE COCOON TO THE ARTISTIC RESIDENCE: ARTISTS IN THE FACTORY VIÚVA LAMEGO


March 14th,
2018 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Invited speakers:
Ana Almeida [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]
Maria Ana Vasco Costa [artist]

Moderator:
Inês Leitão [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]

Ana Almeida
Researcher at Az – Azulejo Research Network (ARTIS-IHA) since December 2008 and, between  2012 and 2016 had a PHd grant (FCT) at the Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa dedicated to theme Authors Ceramics for Architectonical Integration. The collection of the Museu Nacional do Azulejo
Visiting Assistant Professor of Museum Studies and Art History at ESElx- Escola Superior de Educação de Lisboa, Instituto Politécnico de Lisboa. Master in Museum Studies, Faculty of Fine Arts, Lisbon University – Faculdade de Belas Artes de Lisboa, Universidade de Lisboa -, with a thesis entitled From the City to the Museum and from the Museum to the City. Itinerary propose on author tiles in Lisbon second half of the 20th century (March 2009). Holds a History, and a Art History Degree from the Faculty of Social Sciences and Humanities, New University of Lisbon – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa (1989-1993). Research interests include contemporary ceramic, public art, urbanism and architecture.

Maria Ana Vasco Costa
Lives and works in Lisbon, Portugal. She graduated in Architecture at the University of Lisbon in 2004, after which she went  to London where she practiced architecture the following 4 years (at the studios of David Adjaye, Terence Conran and Cláudio Silvestrin). In 2009 she returns to Lisbon and begins her studies in Ceramics at Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual which she completed in 2012. In 2014 she finished the Individual Project in Visual Arts at Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisbon and she is invited to be the Head of the Ceramics Department at Ar.Co, function she currently has . In April 2017 she accepts the invitation to be a resident artist at Factory Viúva Lamego. 
Ceramic is the material of her choice for the plastic possibilities that the finished ceramic body offers, with respect to colour, depth, temperature, variation and sound. Parallel to her studio practice, in 2014 she designs and manufactures her first projects using customized three-dimensional tiles: The Wall Project by MAVC comes from the need of experimenting ideas of colour, texture and pattern using simple geometrical shapes in the traditional form of Portuguese monochromatic tiles, when set in the architectural scale. Maria Ana Vasco Costa has received awards for her interventions, at the Surface Design Awards, UK, in 2016, 2017 and 2018. She participates on a regular basis in collective exhibitions, in Portugal and abroad, and her work has been subject of several publications.

More information | mavcstudio@gmail.com | #thewallprojectmavc  | www.mariaanavascocosta.com

DO CASULO À RESIDÊNCIA ARTÍSTICA: ARTISTAS NA FÁBRICA VIÚVA LAMEGO

14 ​de​ Março ​​de​ ​2018​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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Em meados do século XX, a Viúva Lamego disponibilizava aos ceramistas espaços de trabalho individuais na fábrica. Os artistas chamavam-lhes “casulos”! Jorge Barradas, Querubim Lapa, Cecília de Sousa e Manuel Cargaleiro foram alguns dos ceramistas que tiveram um “casulo”. Actualmente, a Viúva Lamego continua a criar condições para receber residências artísticas.

Este AzLab, que começa com uma abordagem histórica aos “casulos”, conduzida pela investigadora Ana Almeida, pretende contar a história dos artistas na fábrica, prolongando-se até aos dias de hoje na voz de Maria Ana Vasco Costa, que conta na primeira pessoa a sua experiência de trabalho na Viúva Lamego e como é ter uma residência artística na fábrica no início do século XXI.

Para preparar o AzLab#38 visitámos a Viúva Lamego nas suas actuais instalações, na Abrunheira, e conversámos com Manuel Cargaleiro. Não percam a publicação de alguns excertos desta interessante entrevista conduzida pela Patrícia Nóbrega e pela Inês Leitão, as nossas enviadas especiais!

Convidados:
Ana Almeida [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]
Maria Ana Vasco Costa [Artista]

Moderador:
Inês Leitão [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]

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Foto: Centro de Estudos Querubim Lapa e Maria Ana Vasco Costa

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FROM THE COCOON TO THE ARTISTIC RESIDENCE: ARTISTS IN THE FACTORY VIÚVA LAMEGO


March 14th,
2018 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

In the middle of the 20th century, the Viúva Lamego provided ceramists with individual workspaces in the factory. The artists called them “cocoons”! Jorge Barradas, Querubim Lapa, Cecília de Sousa and Manuel Cargaleiro were some of the ceramists who had a “cocoon”. Currently, the Viúva Lamego continues to create conditions to receive artistic residencies.

This AzLab, which begins with a historical approach to the “cocoons”, conducted by the researcher Ana Almeida, intends to tell the history of the artists in the factory, continuing to this day in the voice of Maria Ana Vasco Costa, who tells in the first person her work experience at Viúva Lamego and how it is to have an artistic residence in the factory at the beginning of the 21st century.

To prepare the AzLab#38 we visited Viúva Lamego in its current installations, in Abrunheira, and we talked with Manuel Cargaleiro. Do not miss the publication of some excerpts from this interesting interview conducted by Patricia Nóbrega and Inês Leitão, our special emissaries!

Invited speakers:
Ana Almeida [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]
Maria Ana Vasco Costa [artist]

Moderator:
Inês Leitão [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]

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Photo: Centro de Estudos Querubim Lapa e Maria Ana Vasco Costa

Nesta primeira sessão de 2015 o AzLab teve como orador João Manuel Mimoso, que apresentou uma comunicação sobre a Fábrica Roseira, de Lisboa. Em formato especial, explicado no início da sessão, o AzLab#10 comemorava também um ano de existência, razão pela qual foi distribuído um “quantos-queres” de padrões de azulejos (ver fotos).
João Manuel Mimoso começou por contextualizar o tema, destacando os principais acontecimentos ocorridos em Portugal durante o século XIX, com referências à indústria cerâmica de Lisboa e às alterações então introduzidas, quer a nível técnico quer ao nível do azulejamento das fachadas urbanas, chamando a atenção para a existência de fachadas azulejadas anteriores mas no contexto de jardins. Com base na documentação recolhida, situou as primeiras fachadas revestidas a azulejo na segunda metade da década de 1830, mostrando vários exemplos com padrões anteriores, incluindo de reaplicação, e outros já com padrões novos produzidos por estampilhagem a partir da década de 1840, destacando ainda um conjunto de pormenores caracterizadores destes exemplos iniciais.
Citando como fontes bibliográficas trabalhos da Profª Luísa Arruda e da Drª Ana Margarida Portela Domingues, centrou depois a apresentação na Fábrica Roseira, que tem vindo a estudar com uma equipa de colegas, a partir dos padrões aplicados nos edifícios pertencentes à família Roseira. Um dos interesses particulares desta fábrica resulta da menção de Charles Lepierre, segundo o qual era, dentre as fábricas activas em finais do século XIX, a mais antiga na fabricação de azulejos.
A identificação destes azulejos permite constituir um catálogo-base dos primeiros padrões produzidos, a partir do qual identifica vários revestimentos, em Lisboa mas também noutras cidades do país e no Brasil. Trata-se de padrões em azuis sobre a faiança branca, muitas vezes inspirados nos padrões clássicos da azulejaria portuguesa, o que pode ter contribuído para a sua aceitação.
Seguiu-se um período de debate, muito participativo, iniciado com uma pergunta deixada no blogue (veja aqui uma síntese da resposta). Referiram-se os mostruários da fábrica, que actualmente se encontram no Museu Nacional do Azulejo, mas que representam uma fase tardia da Fábrica Roseira, bem como os estudos materiais associados à produção das chacotas e vidrados, questionando-se ainda a produção de azulejos figurativos e ornamentais.

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The first AzLab session of 2015 had as guest João Manuel Mimoso who talk about the Roseira Factory, in Lisbon. In a special format, explained earlier in the session, the AzLab#10 also celebrated one year of existence, reason why it was given a “cootie catcher” of pattern azulejos (see photos).
João Manuel Mimoso began by contextualize the theme, highlighting the main events that occurred in Portugal during the 19th century, including references to Lisbon’s ceramic industry. In this context, he referred to the changes then introduced either on a technical level and in relation to the tiling of urban facades, drawing attention to the existence of previous tiled façades but in the gardens. Based on documents he gathered, João Mimoso placed the first façades covered with azulejo in the second half of the 1830s, showing various examples with earlier patterns, including reapplications, and others with new patterns produced with the transfer-print technique from the 1840s, emphasizing also a set of characterizing details of these early examples.
Quoting as bibliographic sources the works of Professor Luísa Arruda and Ana Margarida Portela Domingues, João Mimoso focused, later on, his presentation on the Roseira Factory, which he has been studying with a team of colleagues based on the patterns applied in the buildings belonging to the Roseira family. One of the particular interests of this factory comes from the mention of Charles Lepierre, according to whom, it was, among the active factories in the late 19th century, the oldest in the manufacture of azulejos.
The identification of these azulejos enables the constitution of a catalog of the first patterns produced, from which João Mimoso identifies various coatings in Lisbon but also in other cities of our country and in Brazil. They are patterns in blue on white faience, often inspired in the classical patterns from Portuguese Azulejos, which may have contributed to its acceptance.
This presentation was followed by a debate, with a high participation, which began with the question left on the blog (see here a prompt synthesis). There was references to the factory showcases, which are now at the National Museum of Azulejo (representatives of a late production phase of the Roseira Factory), as well as the materials studies associated with the azulejo production, questioning still the production of figurative and ornamental azulejos.

COISAS NOVAS ACERCA DE COISAS VELHAS: OS AZULEJOS DE FACHADA DA FÁBRICA ROSEIRA DE LISBOA

14 de Janeiro de 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

Todos juntos (os amáveis ouvintes e eu próprio) remontaremos às origens do azulejamento das fachadas em Lisboa revendo exemplos com características arcaicas.
Falaremos dos primeiros padrões industriais hipoteticamente atribuíveis à Fábrica Roseira.
Visitaremos uma exposição dos azulejos fabricados na década de 1870.
Viajaremos até ao Brasil…

Convidado:
João Manuel Mimoso [Laboratório Nacional de Engenharia Civil]

João Manuel Mimoso é licenciado em engenharia mecânica; e investigador coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Admirador curioso das fachadas azulejadas.

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NEW STUFF ABOUT OLD STUFF: THE AZULEJOS FROM THE FAÇADE OF THE ROSEIRA FACTORY, IN LISBON

January 14, 2015 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

Together, we (the kind listeners and myself) will revisit the origins of façade tiling in Lisbon and review examples with arcaic features.
We will talk about the first industrial patterns hypothetically ascribable to the Roseira Factory.
We will visit an exhibition displaying azulejos manufactured during the 1870s.
We will travel to Brazil…

Invited speaker:
João Manuel Mimoso [Laboratório Nacional de Engenharia Civil]

João Manuel Minoso is graduated in Mechanical Engineering; and a coordinating researcher at the Laboratório Nacional de Engenharia Civil – LNEC (National Laboratory for Civil Engineering). He is curious admirer of tile-covered façades.