O QUE É O AZULEJO?

13​​ ​de​ Dezembro ​​de​ ​2017​ ​|​ ​18h00​ ​|​ ​Faculdade​ ​de​ ​Letras​ ​da​ ​Universidade​ ​de​ ​Lisboa​ ​|​ ​sala​ ​5.2

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A forma que, de um modo geral, se associa ao azulejo é o quadrado. Mas não foi sempre assim e a longa história da azulejaria, em contexto internacional, é fértil em exemplos de utilização de outros formatos.

Nas últimas décadas, artistas e arquitectos têm vindo a explorar as formas do azulejo, concebendo placas cerâmicas, como as de Eduardo Nery para a escadaria da Av. Infante Santo, em Lisboa, ou para o Museu da Olaria, em Barcelos; revestimentos dinâmicos, como o que se encontra aplicado no novo terminal de cruzeiros do Porto de Leixões, do arquitecto Luís Pedro Silva; ou ainda os azulejos cinéticos das arquitectas Catarina Almada Negreiros e Rita Almada Negreiros, aplicados no Elevador da Bica, em Lisboa (Vai Vem) e os “azulejos 3D” de Maria Ana Vasco Costa, só para citar alguns exemplos.

É precisamente esta multiplicidade de abordagens que nos faz lançar este desafio e perguntar a artistas, arquitectos, designers, historiadores e ao público em geral, “o que é um azulejo?”, o que significa na actualidade a palavra azulejo?

O AzLab#35 conta com diversos convidados para debater esta questão. Mas até lá, podem ir acompanhando as opiniões e testemunhos de todos aqueles que aceitaram responder à nossa pergunta por escrito.

Convidados:
Alexandre Pais [Museu Nacional do Azulejo]
Ana Paula Jarego [Viúva Lamego]
Catarina Almada Negreiros [CAN RAN]
João Manuel Mimoso [Laboratório Nacional de Engenharia Civil – LNEC]
João Pedro Monteiro [Museu Nacional do Azulejo]
Rita Almeida Negreiros [CAN RAN]

Moderador:
Ana Almeida [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]

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WHAT IS A TILE?

December 13rd, 2017 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 5.2

The shape that is generally associated with the azulejo (tile) is the square. However, it was not always so and the long history of tiles, in an international context, is fertile in examples of using other formats.

In the last decades, artists and architects have been exploring the shapes of the tile, designing ceramic plates, such as Eduardo Nery’s for the Avenue Infante Santo staircase in Lisbon, or for the Pottery Museum in Barcelos; dynamic coverings such as the one applied to the new Cruise Terminal of Porto de Leixões, of the architect Luís Pedro Silva; or the “3D tiles” of Maria Ana Vasco Costa, just to name a few.

It is precisely this multiplicity of approaches that makes us launch this challenge and ask artists, architects, designers, historians and the general public, “What is a tile?”; what does the word tile mean today?

The AzLab#35 will have several guests to discuss this question. But until then, you can follow online the opinions and testimonies of all those who have agreed to answer our question in writing.

Invited speakers:
Alexandre Pais [Museu Nacional do Azulejo]
Ana Paula Jarego [Viúva Lamego]
Catarina Almada Negreiros [CAN RAN]
João Manuel Mimoso [Laboratório Nacional de Engenharia Civil – LNEC]
João Pedro Monteiro [Museu Nacional do Azulejo]
Rita Almeida Negreiros [CAN RAN]

Moderator:
Ana Almeida [Az – Rede de Investigação em Azulejo (ARTIS-IHA / FLUL)]

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O AzLab#19, intitulado A identificação de uma arte. O uso do azulejo em Portugal, teve como convidados João Pedro Monteiro e Marluci Menezes, contando com a moderação de Vítor Serrão.

Na primeira intervenção, João Pedro Monteiro sistematizou as características específicas do azulejo português, que o diferenciam de outras manifestações congéneres e o tornam uma arte identitária. A permanência e o uso do azulejo; a integração arquitectónica; o diálogo com a arquitectura e as outras artes; o azulejo como suporte de renovação do gosto e de mensagens; ou a diversidade de fontes iconográficas foram alguns dos aspectos mencionados e profusamente ilustrados.

Por sua vez, Marluci Menezes abordou a questão do azulejo do ponto de vista dos seus significados sociais, questionando o que é a identidade do azulejo e o que lhe está subjacente. A investigadora referiu-se ao azulejo como um marcador da paisagem urbana de Portugal, discutindo o seu impacto na população (e a sua valorização a par do vandalismo), o uso e as apropriações que são feitas num sentido de renovação, mostrando ainda exemplos de como o imaginário do azulejo está presente em diversos objectos do quotidiano. Concluiu com a ideia de que o azulejo pode ser um pretexto para pensar a relação entre cultura, memória e sociedade.

A sistematização da primeira comunicação e as interrogações da segunda suscitaram, naturalmente, muitas questões, que foram sendo discutidas no período de debate que se seguiu. Permitimo-nos destacar o facto de não existirem investigadores na área da Antropologia que tivessem abordado o azulejo e os fenómenos a ele associados, assim como o facto do azulejo português “estar na moda” há já alguns anos.

Uma última palavra para referir que o AzLab fez dois anos de existência e que, para assinalar esta data, a organização preparou uma surpresa (ver fotos). Esperamos que tenham gostado e que nos continuem a acompanhar!

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The AzLab#19 entitled The identification of an art. The use of the azulejo in Portugal had as guests João Pedro Monteiro and Marluci Menezes and was moderated by Vítor Serrão.

First, João Pedro Monteiro systematized the specific characteristics of the Portuguese azulejo, which differentiates it from other similar manifestations and makes it an identitary art. The permanence and the use of the azulejo; the architectural integration; the dialogue with the architecture and other arts; the azulejo as a support for a renovation of taste and for messages; or the diversity of iconographic sources were some of the aspects mentioned and profusely illustrated.   

In turn, Marluci Menezes addressed the issue of the azulejo from the standpoint of its social meanings, questioning what is the identity of the azulejo and what underlies it. The researcher referred to the azulejo as a marker of Portugal’s urban landscape, discussing its impact on the population (and its valorisation alongside with the vandalism), the use and appropriations that are made in a sense of renewal, showing also examples of how the azulejo imagery is present in many everyday objects. She concluded with the idea that the azulejo is a good pretext to think about the relationship between culture, memory and society.

The systematization of the first intervention and the questions of the second raised, as expected, many issues, which were discussed in the period of debate that followed. We highlight the fact that there are no researchers in the field of Anthropology that have addressed the azulejo and the phenomena associated with it, as well as the fact that the Portuguese azulejo “is trendy” for some years now.

One last word to refer that it was the AzLab’s two year anniversary and to mark this date, the organization prepared a surprise (see photos). We hope you liked it and that you continue to follow us!

A identificação de uma arte. O uso do azulejo em Portugal


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20 de Janeiro de 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 2.1

Marluci Menezes, uma das convidadas do AzLab#19, escreveu recentemente um artigo sobre os significados sociais do património azulejar, e que nos ajuda a reflectir sobre algumas das questões que vão ser abordadas durante a sessão. Na impossibilidade de publicar o texto, reproduzimos o resumo do mesmo:

“Esta reflexão enquadra-se num interesse mais vasto pelo estudo dos processos sociais de valorização do património cultural. Partindo do conhecimento do modo como estes valores são constituídos e representados, este propósito mais ambicioso orienta-se no sentido de identificar como os significados sociais e simbólicos relacionados com o património cultural podem, de modo dinâmico, interativo e negociado, colaborar com as políticas de salvaguarda e práticas de conservação. Como enquadramento geral, pressupõe-se que o processo de invenção do património é uma prática social, simultaneamente aludindo-se que o são igualmente a sua salvaguarda e conservação, o que exige envolvimento social entre outros tipos de empenhamento. Ora, o património azulejar não foge a este enquadramento de partida. Pelo que, nesta reflexão cujos objetivos são mais modestos, ilustram-se alguns dos preâmbulos que suscitaram o interesse em iniciar um percurso de investigação dos significados sociais associados ao azulejo integrado na arquitetura. O foco de reflexão é o contexto português, onde supostamente é consentâneo referir que o azulejo é um elemento secular da cultura material: ocupa com especial relevância a paisagem cultural do país e apresenta-se como um marcador identitário; com lugar cativo num museu nacional, a matéria azulejar é abarcada pelos conteúdos que definem a categoria património, vindo também a protagonizar uma determinada linha de internacionalização do país. A significante exaltação da expressão da matéria azulejar repercute-se em diversos e diferentes contextos, discursos e representações. Valores de uso, função, artísticos, decorativos e estéticos, históricos, técnicos e científicos sustentam a secular cultura azulejar, potencialmente definindo uma singularidade cultural que é plural na diversidade através da qual se revelam, aos olhos do observador mais atento, estilos, temas, texturas, materiais, técnicas, cores e padrões. Todavia, o gosto secular pelo azulejo parece também revelar uma relação ambígua das pessoas e comunidades com a matéria azulejar, havendo uma relação de afeto e desafeto, onde tanto é refletido o enaltecimento no uso do azulejo como a sua trivialização, devido ao hábito de usar e ver azulejos.

O que a apreciável demonstração de gosto pelo azulejo, e as manifestações de descuido, desinteresse, vandalização e substituição explicam sobre a relação entre a sociedade e património? Este primeiro estranhamento da relação das pessoas e das comunidades com o azulejo, constitui um preâmbulo iniciático de uma antropóloga para aprender o universo social que abarca a cultura azulejar. Pelo que, nesta reflexão questiona-se sobre o potencial interesse em alargar o âmbito de entendimento do património azulejar também ao seu significado social“.

Referência Bibliográfica:
MENEZES, Marluci – “Azulejo, cultura, memória e sociedade: para um estudo dos significados sociais do património azulejar.” GlazeArch2015 – International Conference Glazed Ceramics in Architectural Heritage. Lisbon: LNEC. 2015. pp. 338-346.

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Foto: © Artur Lourenço via Diário de Lisboa (http://mapasepapas.blogspot.pt/2015/03/16032015-quadrados-com-historia-que.html​)

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THE IDENTIFICATION OF AN ART. THE USE OF THE AZULEJO IN PORTUGAL


January 20, 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 2.1

Marluci Menezes, one of the guests of the AzLab#19, recently wrote an article on the social meanings of azulejo heritage, which helps us reflect on some of the issues that will be addressed during the session. In the impossibility of publishing the whole text, we reproduce its summary:

“This reflection is part of a wider interest in the study of the social processes of development of cultural heritage. Based on the knowledge of how these values are formed and represented, this more ambitious purpose is oriented towards the identification of how social and symbolic meanings related to cultural heritage can, in a dynamic, interactive and negotiated way, collaborate with protection and conservation practices. As a general framework, it is assumed that the process of heritage invention is a social practice, simultaneously mentioning that so are also are the preservation and conservation, which require social involvement and other types of commitment. In fact the tile heritage is no exception to this starting frame. Therefore, this reflection whose goals are more modest, illustrates some of the preambles leading to the interest in starting a research on the social meanings associated with the azulejo (ceramic tile) integrated in architecture. The focus of the reflection is the Portuguese context, where it is supposedly consistent to refer that the azulejo is a secular element of material culture: present with special relevance in the country’s cultural landscape and presenting itself as an identity marker; with a permanent place in a national museum, the tile material comprises the contents that define the heritage category, protagonist in the internationalization of the country. The significant exaltation of the expression of tile matter is echoed in several different contexts, discourses and representations. Values of use, function, artistic, decorative and aesthetic, historical, technical and scientific, support the secular tile culture, potentially setting a cultural uniqueness that is plural in diversity through which styles, themes, textures, materials, techniques, colours and patterns are revealed to the eyes of careful observers. However, the secular taste for azulejo also seems to reveal an ambiguous relationship of people and communities with the tile as a material, recognized in the relationship of simultaneous affection and disaffection, reflecting the enhancement in the use of tiles and its trivialization, due to the habit of using and seeing them.

What do the appreciable demonstration of enjoyment for the tile, and the manifestations of carelessness, disinterest, vandalization and substitution explain about the relationship between society and heritage? This first perplexity of the relationship of people and communities with the azulejo is the initiatic preamble of an anthropologist to learn about the social universe that covers the culture of the ceramic tile. Therefore, this reflection raises questions about the potential interest of broadening the scope of comprehending azulejo heritage also to its social meaning” [author’s translation].


Bibliographical reference:
MENEZES, Marluci – “Azulejo, cultura, memória e sociedade: para um estudo dos significados sociais do património azulejar.” GlazeArch2015 – International Conference Glazed Ceramics in Architectural Heritage. Lisbon: LNEC. 2015. pp. 338-346.

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Photo: © Artur Lourenço via Diário de Lisboa (http://mapasepapas.blogspot.pt/2015/03/16032015-quadrados-com-historia-que.html​)

A identificação de uma arte. O uso do azulejo em Portugal

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20 de Janeiro de 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 2.1

O azulejo vem sendo valorizado em Portugal, do ponto de vista teórico, desde meados do século XIX, numa perspectiva que acentua, de forma crescente, a ideia de identidade. É pioneiro nesse entendimento o texto de Athanasius Raczynski, que reconhece o peso do azulejo enquanto expressão artística de especificidades originais e únicas no país (RACZYNSKI, 1846: 427-434). Pouco depois de Henri Martin (1810-1883) destacar o pendor colorista do povo português e o azulejo como componente do aspecto pitoresco das suas casas (BRAGA, 1995 [1885]: 137), Joaquim de Vasconcelos apresentava uma visão de consciência cultural sobre a cerâmica e o azulejo português (VASCONCELOS, 1883; CÂMARA, 2008: 108).

Sob o espírito nacionalista de doutrinação e propaganda republicana, outros autores continuariam o discurso acerca do carácter da nação portuguesa (BRAGA, 1995). A necessidade de uma consciência cultural colectiva promovida pela República potenciou o culto «do que é português», que incluiu o azulejo. Destacamos José Queirós, autor da primeira tentativa de inventariação dos azulejos existentes em Portugal (QUEIRÓS, 1907), ou Vergílio Correia (CORREIA, 1918), dedicando particular atenção à produção portuguesa.

A propaganda cultural do Estado Novo assentou num discurso folclorista que continuou os princípios defendidos na 1.ª República, numa reciclagem do discurso pré-existente com um invólucro modernista. Os anos 40 e 50 pontuaram-se pelo rastreio de obras de património nacional, sendo também publicada a primeira abordagem de conjunto dedicada ao azulejo português enquanto arte nacional (SANTOS, 1957).

O trabalho basilar de Santos Simões, assente num intenso esforço de inventário, consolidaria a visão da especial preponderância e originalidade da aplicação da arte do azulejo em Portugal e nos seus territórios da Expansão (SIMÕES, 1965, 1969, 1971, 1979).

Presentemente, o azulejo é reconhecido como uma das artes que mais identifica a herança patrimonial portuguesa. Artistas contemporâneos continuam a criar ou a citar obras em azulejo, sendo disso exemplo a representação oficial à Bienal de Veneza em 2013, de Joana Vasconcelos, que recuperou a ideia de nação, implícita através de múltiplos e distintos referentes materiais, destacando-se o revestimento exterior do cacilheiro que constituiu o Pavilhão de Portugal.

Referências Bibliográficas:
– BRAGA, Teófilo – O povo português nos seus costumes, crenças e tradições. Lisboa: Publicações Dom Quixote, Volume I. 1995 [1885].
– CÂMARA, Maria Alexandra Gago da – “Joaquim de Vasconcelos e o estudo das Artes Decorativas em Portugal: a cerâmica e o azulejo (1849-1939).” Revista de Artes Decorativas. 2: 217-228. 2008.
– CORREIA, Vergílio – “Azulejadores e pintores de azulejos, de Lisboa.” A Águia. 77-78: 167-178. 1918.
– QUEIRÓS, José – Cerâmica Portuguesa. Lisboa: Typographia do Anuario Commercial. 1907.
– RACZYNSKI, Le C. A. – Les Arts en Portugal. Lettres adressées a la société artistique et scientifique de Berlin et accompagnées de documents. Paris: Jules Renouard et Cª Libraires-Éditeurs. 1846.
– SANTOS, Reynaldo dos – O Azulejo em Portugal. Lisboa: Editorial Sul Limitada. 1957.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Les Carreaux céramiques hollandais au Portugal et en Espagne. Haia: Martinus Nijhoff. 1963.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria portuguesa no Brasil: 1500-1822. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1965.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria em Portugal nos séculos XV e XVI. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1969.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria em Portugal no século XVII. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1971.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria em Portugal no Século XVIII – edição revista e actualizada. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010 [1979].
– VASCONCELOS, Joaquim de – Exposição de cerâmica / Sociedade de Instrução do Porto: documentos coordenados com uma série de marcas inéditas. Porto, 1883.

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THE IDENTIFICATION OF AN ART. THE USE OF THE AZULEJO IN PORTUGAL


January 20, 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 2.1

Theoretically speaking, the azulejo started being valued in Portugal since the mid 19th century, with an increasing emphasis on the idea of identity. Athanasius Raczynski was a forerunner in this tendency, with a text acknowledging the azulejo’s specific importance as an original form of artistic expression, unique within the country (RACZYNSKI, 1846: 427-434). Shortly after, Henri Martin (1810-1883) highlighted the Portuguese people’s proneness to colour and the azulejo as part of the picturesque look of Portuguese houses (BRAGA, 1995 [1885]: 137), and Joaquim de Vaconcelos offered a culturally conscious vision of Portuguese ceramics and azulejos (VASCONCELOS, 1883; CÂMARA, 2008: 108).

Under the nationalist spirit of Republican indoctrination and propaganda, other agents pursued the idea of a Portuguese national character (BRAGA, 1995). The need for a collective cultural consciousness, promoted by the Republic, led to the cult of “all things Portuguese”, including the azulejo. Noteworthy in this context are José Queirós, author of the first attempt at cataloguing Portugal’s existing azulejos (QUEIRÓS, 1907), or Vergílio Correia (CORREIA, 1918), focused on Portuguese manufacture.

The cultural propaganda of the Estado Novo was based on a folkloristic discourse carried over from the 1st Republic, enclosing the pre-existing discourse within a modernist wrapping. The decades of 1940 and 1950 saw the systematic tracking of national heritage works and the first general publication dedicated to the azulejo as national art form (SANTOS, 1957).

The groundbreaking work of Santos Simões, based on an intense inventory effort, helped to raise awareness to the special importance and originality of the azulejo in Portugal and the Portuguese colonies (SIMÕES, 1965, 1969, 1971, 2010).

Today, the azulejo is acknowledged as one of the most distinctive art forms of the Portuguese heritage, and contemporary artists continue to create or to quote works in azulejo. An example of this was the Portuguese participation in the 2013 Venice Biennale, authored by Joana Vasconcelos, who sought to revive the idea of nation through the use of different materials, among which the tile covering of the outer surface of the cacilheiro (a Portuguese boat) chosen to house the Portuguese pavilion.  

Bibliographical references:
– BRAGA, Teófilo – O povo português nos seus costumes, crenças e tradições. Lisboa: Publicações Dom Quixote, Volume I. 1995 [1885].
– CÂMARA, Maria Alexandra Gago da – “Joaquim de Vasconcelos e o estudo das Artes Decorativas em Portugal: a cerâmica e o azulejo (1849-1939).” Revista de Artes Decorativas. 2: 217-228. 2008.
– CORREIA, Vergílio – “Azulejadores e pintores de azulejos, de Lisboa.” A Águia. 77-78: 167-178. 1918.
– QUEIRÓS, José – Cerâmica Portuguesa. Lisboa: Typographia do Anuario Commercial. 1907.
– RACZYNSKI, Le C. A. – Les Arts en Portugal. Lettres adressées a la société artistique et scientifique de Berlin et accompagnées de documents. Paris: Jules Renouard et Cª Libraires-Éditeurs. 1846.
– SANTOS, Reynaldo dos – O Azulejo em Portugal. Lisboa: Editorial Sul Limitada. 1957.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Les Carreaux céramiques hollandais au Portugal et en Espagne. Haia: Martinus Nijhoff. 1963.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria portuguesa no Brasil: 1500-1822. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1965.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria em Portugal nos séculos XV e XVI. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1969.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria em Portugal no século XVII. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1971.
– SIMÕES, João Miguel dos Santos – Azulejaria em Portugal no Século XVIII – edição revista e actualizada. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010 [1979].
– VASCONCELOS, Joaquim de – Exposição de cerâmica / Sociedade de Instrução do Porto: documentos coordenados com uma série de marcas inéditas. Porto, 1883.

A identificação de uma arte. O uso do azulejo em Portugal

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20 de Janeiro de 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 2.1

Convidados:
Marluci Menezes [LNEC]
João Pedro Monteiro [MNAz]

Moderador:
Vítor Serrão [ARTIS-IHA / FLUL]

Marluci Menezes
Geógrafa, Mestre e Doutora em Antropologia, Investigadora Auxiliar no LNEC, onde desde 1991 estuda as culturas urbanas de uso e apropriação do espaço, de conservação do património e de reabilitação urbana. Foi Coordenadora do Núcleo de Ecologia Social/LNEC (maio 2009/2013), Professora convidada no Instituto de Pesquisa e Tecnologia/IPT – São Paulo (2010) e na UNICAEN/Baixa Normandia (2012). Na área da intervenção socio-urbanística, coordenou o Apoio Técnico-Metodológico ao Projeto Velhos Guetos, Novas Centralidades (fundos EFTA). Presentemente estuda as questões socioculturais associadas ao uso e conservação de recursos, às dinâmicas de adaptação aos processos de transformação urbana, e à relação entre património material e imaterial na conservação do património arquitetónico.

João Pedro Monteiro
É, desde 1988, Técnico Superior do Museu Nacional do Azulejo, sendo responsável pelo Departamento de Investigação. É Licenciado em História, tem uma pós-graduação em Arte Património e Restauro e o Curso de Alta Direcção em Administração Pública do INA. Tem vindo a desenvolver projectos de investigação na área da azulejaria e faiança portuguesas que resultaram em exposições temporárias no Museu Nacional do Azulejo. Assumiu o Comissariado Científico de várias exposições em Portugal e no estrangeiro. Tem diversos artigos publicados sobre Azulejaria e Faiança portuguesas em catálogos de exposição e revistas da especialidade, em Portugal e no estrangeiro.

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Imagem: © Inês Leitão

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THE IDENTIFICATION OF AN ART. THE USE OF THE AZULEJO IN PORTUGAL


January 20, 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 2.1

Invited speakers:
Marluci Menezes [LNEC]
João Pedro Monteiro [MNAz]

Moderator:
Vítor Serrão [ARTIS-IHA / FLUL]

Marluci Menezes
Geographer, Master and PhD in Anthropology, Research Officer at LNEC, where since 1991 Marluci is studying urban cultures of use and appropriation of space, heritage conservation and urban rehabilitation. She was Coordinator of the Social Ecology Division at LNEC (May 2009/2013), visiting Professor at the Institute of Research and Technology/IPT – São Paulo (2010) and at UNICAEN/Basse Normandie (2012). In the area of ​​social and urban intervention, she coordinated the Technical and Methodological Support to the Project Old Ghettos, New Centralities (with EFTA funds). Presently, she is studying socio-cultural issues associated with the use and conservation of resources, the dynamics of adaptation to urban transformation processes, and the relationship between tangible and intangible in preserving the architectural heritage.

João Pedro Monteiro
João Pedro Monteiro is in charge of the Research Department at National Azulejo Museum  since 1988. Graduated in History, he has a postgraduate study in Art, Heritage and Restoration and the Senior Management course in Public Administration from the INA. He has been developing research projects concerning the Portuguese azulejo and faience which resulted in temporary exhibitions at the National Azulejo Museum . He was in charge of the Scientific Commission of several exhibitions in Portugal and abroad. João Pedro Monteiro authored several articles about Portuguese azulejo and Faience in national and international exhibitions’ catalogues and scientific journals.

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Image:  © Inês Leitão

A identificação de uma arte. O uso do azulejo em Portugal

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20 de Janeiro de 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 2.1

O AzLab#19 tem como principal objectivo reflectir sobre  os traços distintivos que fazem do uso do Azulejo em Portugal uma expressão única no contexto internacional, assim como o seu significado socio-cultural.

Algumas dessas características podem ser encontradas noutras culturas, mas será nas suas especificidades, e na forma como se articulam, que poderemos encontrar uma identidade, elaborada num processo de longa duração.

Para além das questões da identidade de uma arte, pretende-se também reflectir sobre os mecanismos socio-simbólicos que operam como marcadores identitários. O que nos conduz à compreensão dos significados sociais relacionados com o azulejo, visando também discutir os aspectos definidores de um percurso antropológico de entendimento.

Convidados:
Marluci Menezes [LNEC]
João Pedro Monteiro [MNAz]

Moderador:
Vítor Serrão [ARTIS-IHA / FLUL]

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Imagem: © Inês Leitão

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THE IDENTIFICATION OF AN ART. THE USE OF THE AZULEJO IN PORTUGAL

January 20, 2016 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | room 2.1

The AzLab#19 aims to reflect on the distinctive features that make the use of the Azulejo in Portugal a unique expression within the international context, and also on its socio-cultural significance.

Some of these features can be found in other cultures. However, it will be in their specificities that we can find an identity, developed in a long-term process.

Besides the identity issues of this art form, it is also intended to reflect on the socio-symbolic mechanisms that operate as identity markers, which leads us to the understanding of the social meanings related to the azulejo, aiming also to discuss the defining aspects of an anthropological perspective.

Invited speakers:
Marluci Menezes [LNEC]
João Pedro Monteiro [MNAz]

Moderator:
Vítor Serrão [ARTIS-IHA / FLUL]

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Image:  © Inês Leitão