Azulejo & Coleccionismo

22 de Janeiro de 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | sala 5.2

3 perguntas | ao Comendador Berardo, a propósito da Colecção Berardo

Qual a história da origem da colecção?
A minha paixão pelos azulejos começou nos bancos da escola primária. Havia, junto à janela da sala de aula, um azulejo com a imagem de um cavaleiro com uma espada e umas grandes botas e eu ficava maravilhado a olhar para ele, a imaginar mil histórias e aventuras. Cresci, “percorri as sete partilhas do mundo” e às vezes, vinha-me à memória a figura do cavaleiro, como um sonho… Ao regressar a Portugal, vindo da África do Sul, descobri e naturalmente interessei-me e apaixonei-me pela azulejaria portuguesa. Fiquei fascinado pela história e cultura que os azulejos transmitem, pela sua beleza, pela variedade de desenhos e pela gama de azuis que possuem.  Foi, então, que aconselhado por colaboradores, historiadores de arte e consultores, como o meu amigo Manuel Leitão, pessoa fundamental neste processo, comecei a minha Colecção.

Há preocupação em documentar as proveniências?
É fundamental! Pois, como sabemos, o colecionismo do azulejo “obriga” a uma desvinculação física e estética do seu contexto original: o arquitectónico. Ainda que, no meu caso, me sinta particularmente felizardo, por ter alguns exemplares in situ na Quinta e Palácio da Bacalhôa.
Contudo, reconheço que é, também, o colecionismo, seja ele público ou privado, que permite a salvaguarda, preservação e difusão desta forma de arte que, não poucas vezes, é alvo de saques e vandalismo.
Como é do conhecimento público tenho várias colecções e em qualquer umas delas, há sempre a preocupação em documentar as proveniências originais, os anteriores colecionadores/proprietários, oficinas, fabricantes, autores, etc. Dou-lhe um exemplo interessante, tenho alguns azulejos a ornamentar a minha casa do Canadá, que são mais antigos que a descoberta daquele país. A documentação é imprescindível!

Como vê o futuro da sua Colecção?
Vejo o futuro da Colecção com muito optimismo. Pois, felizmente, toda a minha família gosta de arte e, embora, tenhamos diferentes países de origem, vivemos todos em Portugal, onde a azulejaria não é apenas uma expressão artística, é também um testemunho, que contribui para o enriquecimento da nossa memória e da nossa identidade.
O meu maior desejo é que a Colecção não se disperse, à semelhança do que aconteceu à Colecção do Comandante Ernesto Vilhena, e outros, que terminaram em leilões, perdendo o seu valor de coleccionismo.
Ando sempre a ver novas peças para aumentar a minha colecção, mas agora, só faz sentido ver outros colecionadores porque, afortunadamente, posso dizer que já tenho um conjunto de obras representativas da História do Azulejo em Portugal.

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Foto: 6ª Exposição Temporária – Azulejaria. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, 1947 [© Biblioteca de Arte | Fundação Calouste Gulbenkian]

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AZULEJO & COLLECTIONS

January 22, 2014 | 18h00 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa |  room 5.2

3 questions | to Comendador Berardo about the Berardo Collection

What’s the history behind the origin of the collection?
My passion for tiles began on the benches at primary school. There, next to the classroom window, was a tile panel with the image of a knight wearing big boots and carrying a sword and I would sit there amazed, just looking at him, imagining a thousand stories and adventures. I grew up, “travelled the seven continents of the world” and from time to time the figure of that knight would come to my mind, like a dream … On my return to Portugal from South Africa, I discovered, became interested and fell in love with portuguese tiles. I was fascinated by the history and culture that the tiles transmitted, for their beauty, variety of designs and the range of blues that they held. It was then, recommended by art historians and consultants, such as my friend Manuel Leitão, key person in this process, that I began my collection.

Is there a concern in documenting the provenances?
It is essential! For, as we know, collecting tiles “requires” a physical and aesthetic disconnection of their original context: the architectural.  In my case, I feel particularly lucky for having some specimens in situ at the Quinta da Bacalhôa.
However, I recognize that it is also it’s collection, whether public or private, that allows the protection, preservation and diffusion of this art form, as not infrequently, is it the target of looting and vandalism.
As is public knowledge, I have several collections and in any one of them, there is always a concern to document the original provenances, the previous collectors/ owners, workshops, manufacturers, authors, etc. I will give you an interesting example: I have some tiles that decorate my home in Canada, which are older than the discovery of that country. Documentation is essential!

How do you see the future of your collection?
I see the future of the collection with much optimism. Fortunately, my whole family enjoys art, and although we have different countries of origin, we all live in Portugal, where tiles are not just an artistic expression, it is also a testimony that contributes to the enrichment of our memory and of our identity.
My greatest desire is that the collection is not dispersed, similar to that which happened to the Collection of Commander Ernesto Vilhena, and others, that ended up in auctions, losing their collection value.
I am always looking at new pieces to increase my collection, but now it only makes sense to see other collectors because, fortunately, I can say that I already have a set of representative works of the History of Tiles in Portugal.

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Photo: 6ª Exposição Temporária – Azulejaria. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, 1947 [© Biblioteca de Arte | Fundação Calouste Gulbenkian]

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